Andrezza Tavares

10/02/2019

Servidores Federais do IFRN Canguaretama
Fonte: Comunicação Social do IFRN Canguaretama
 
 
A Jornada Pedagógica dos professores do Instituto Federal de Educação, Ciência, Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus Canguaretama, aconteceu na semana de 04 a 08/02/2019, na edificação da própria instituição. Na ocasião, as dezenas de servidores federais prestigiaram a uma criativa programação que envolveu palestras, oficinas, relatos de experiência, socialização de práticas, momentos de planejamento e de conferências com professores pesquisadores convidados. 
 
Em sintonia com as políticas educacionais atuais, a agenda do Campus destinou um tempo importante para dialogar sobre o tema “BNCC para o ensino médio: quais as mudanças?”. Segundo o Diretor de Ensino do Campus, o professor Dr. Flávio Ferreira, “estudar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um exercício necessário pois se trata de uma política educacional recentemente aprovada para estabelecer as diretrizes do currículo escolar no Brasil. No caso das instituições que ofertam ensino médio, o documento é mais recente ainda e precisa ser compreendido e problematizado pelos professores que trabalham  com a oferta". 
 
Regulamentada pela Resolução CNE/CP Nº 2, de 22 de dezembro de 2017, a BNCC define as aprendizagens essenciais que todos os estudantes brasileiros devem desenvolver ao longo da Educação Básica. É uma política de Estado e não de governo que foi sistematizada para direcionar os currículos escolares dos estados, dos municípios e da rede privada.
 
Os marcos Legais que embasam a BNCC são a Constituição Federal (1988), a Lei de Diretrizes Bases da Educação (Lei 9.394/96), as Diretrizes Curriculares Nacionais (Parecer nº 7/2010), o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/14) e a Reforma do Ensino Médio (Lei 13.415/17). O conjunto dessas normativas se unem para consolidar a identidade do novo ensino médio no Brasil caracterizado por 3000h (três mil horas) de carga-horária, com o currículo organizado por meio de uma base comum (áreas de  conhecimento) e por meio de uma base flexível (itinerários formativos). Diante das inovações é fundamental o conhecimento dos textos legais.
 
De acordo com o documento, os fundamentos da BNCC são igualdade, equidade, qualidade, diversidade, regime de colaboração, competência, habilidades e educação integral.
 
Além de fundamentos, a Base também propõe competências gerais que devem ser desenvolvidas pelos estudantes do ensino médio, a saber: conhecimentos por área, pensamento científico, reflexão crítica e criativa, diversidade cultural, comunicação, cultura digital, trabalho e projeto de vida, argumentação, autoconhecimento, cooperação, empatia, responsabilidade para consigo e com o outro e cidadania. 
 
Na BNCC a Etapa do Ensino Médio está organizada por áreas do conhecimento que têm a finalidade de integrar dois ou mais componentes curriculares (disciplinas) que deverão compreender 1800 horas curriculares. A integração dos conteúdos por área é justificado pelo documento para facilitar a compreensão sobre a realidade complexa, flexível e em plena transformação. As áreas do conhecimento definidas são Linguagens e suas Tecnologias (Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa); Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Biologia, Física e Química); e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia). 
 
Outra especificidade do documento é a defesa dos itinerários formativos que consistem em situações de trabalho como conjunto relacional de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras possibilidades, que deverão compreender 1200 horas curriculares. Tais itinerários formativos podem se desenvolver considerando: 1) o campo de uma área do conhecimento (Matemáticas e suas Tecnologias, Linguagens e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas); 2) a integração de duas ou mais áreas do conhecimento; 3) ou o campo da formação técnica e profissional (FTP). As escolas terão autonomia para definir quais os itinerários formativos irão ofertar. 
 
Além de dialogar sobre as ideias e a estrutura da BNCC, a jornada pedagógica dos professores do IFRN Canguaretama provocou reflexão crítica sobre as intencionalidades das políticas educacionais ancoradas nos reducionismos do currículo por competência e na lógica hegemônica da flexibilidade nos processos  de formação. Sem dúvida, a semana de estudos no IFRN Canguaretama compreendeu reflexões e atividades formativas que dialogaram sobre o cotidiano institucional e sobre o cenário nacional oferecendo alternativas conceituais e práticas para a travessia do ano letivo de 2019.