Andrea Nogueira

09/03/2019
Andrea Nogueira
 
Nestes tempos de rede social está cada vez mais difícil distinguir o verdadeiro do falso. Notícias diversas são lançadas para a população por profissionais e leigos, muitas vezes sem a menor preocupação com as consequências do conhecimento sobre o “fato”. 
 
A ordem do subconsciente é divulgar e multiplicar a divulgação. Mas isso acaba assolando o bom senso e trazendo para a sociedade uma nova “enfermidade”: a síndrome do pós-verdade.
 
A Wikipédia define o PÓS-VERDADE como um neologismo que descreve a situação na qual, na hora de criar e modelar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais. Neologismo, por sua vez, é uma nova palavra que serve para representar realidades sem preexistência. Assim, o PÓS-VERDADE é identificado numa situação formada a partir de emoções e crenças, sem guardar necessária relação com a veracidade.
 
Como bem explica Matthew D’Ancona em seu livro “Pós-verdade – a nova guerra contra os fatos em tempo de fake news”, “não se trata, portanto, de mentir ou falsificar os fatos, mas de assumir que a verdade tem importância cada vez mais secundária: o que interessa é manipular e enraizar na opinião pública os valores e convicções que nos beneficiam”.
 
Falando em benefícios, ou seja, naquilo capaz de favorecer um indivíduo pessoalmente, entra- se num campo vasto e complexo, pois cada um quer acreditar no que é mais confortável para
sua vida, de acordo com suas crenças lapidadas ao longo dos anos, seja esta lapidação consciente ou inconsciente.
 
Nesse tracejo de conceitos sobre o pós-verdade, temos que admitir que também há muitos fatos sobre o feminismo que não correspondem, nem de perto, com a realidade. Tais fatos continuam se espalhando de forma descontrolada, especialmente através das redes sociais, fixando pontos de vista baseados no conforto emocional de quem a propaga. Assim, as pessoas só replicam fatos que lhe parecem confortáveis. E confortável não é sinônimo de verdade.
 
Está cada vez mais difícil encontrar uma pessoa livre das amarras produzidas por suas emoções. Porém, quando se trabalha para a coletividade a emoção não deve prevalecer sobre a razão. E a questão é: hodiernamente, todos trabalham, mesmo que indiretamente, pela coletividade.
 
Com o avanço tecnológico e redes sociais, todas as pessoas já são propagadoras do bem ou do mal comum, mas infelizmente contamos com uma grande parcela da população misturando suas emoções e prescindindo o dever de zelar pela verdade.
 
A verdade está tomando forma a partir de conceitos pessoais. Está em processo de mutação rumo ao multiconceitual baseado naquilo que faz bem acreditar.
 
Enquanto isso, muitas ideologias que pregam a igualdade entre pessoas, continua sofrendo ataques de quem se acostumou a acreditar apenas no que quer, ou no que é mais adequado aos seus interesses. A titulo de exemplo, vale citar o Feminismo. Este é ferozmente combatido por muitos como se fosse um inimigo social, mas na verdade fundamenta-se na busca pela igualdade e o resto é pós-verdade.