José Antônio Aquino

09/03/2019
 
Polícia Cidadã – Uma necessária realidade
 
Há alguns dias as redes sociais do mundo replicaram incessantemente uma inusitada cena na qual o Policial C.B.Fleming que atua em South Hill na Virgínia, Estados Unidos, que após um atendimento de rotina à uma área carente encontrou uma série de crianças brincando na rua, e passou a interagir ludicamente com as mesmas, ali mesmo, no chão.
 
Rapidamente o vídeo viralizou em especial, segundo a reportagem da WTVR-TV, emissora de televisão americana, pelo fato de tal raro fato ter ocorrido em uma comunidade pobre e marginalizada, local aonde é comum as pessoas, não só as crianças, terem medo da polícia. Então, o fato de se perceber no vídeo que as crianças estavam muito à vontade com o policial, mereceu especial atenção.
 
Da mesma forma, no Brasil, em certas áreas, o receio e distância da população para com seus operadores de segurança também é uma dura realidade a ser enfrentada. É inegável que o Estado precisa iniciar urgentemente um processo de reaproximação das forças estatais com o seu povo, uma vez que tal interação é fundamental para se promover a segurança pública.
 
Enquanto os gestores públicos, em todos os seus níveis, não executam políticas de proximidade, excetuando-se alguns parcos casos, algumas entidades representativas dos agentes de segurança no Brasil, cumprem tal papel. Como um bom exemplo disso tem sido um projeto coordenado pelo Sindicato dos Policiais Federais no Rio Grande do Norte, que transcendendo a atuação convencional de um representante de classes, iniciou uma ação intitulada Federais Solidários e tem percorrido várias cidades do estado realizando palestras para estudantes do ensino médio, de escolas públicas. Os operadores têm levado um pouco do conhecimento adquirido ao longo da experiência de cada um quando de sua atuação na força estatal em áreas como: Combate às drogas, crimes cibernéticos, combate a desvios de verbas públicas e corrupção, além de uma palestra sobre a importância da leitura na formação do ser humano.
 
O projeto tem sido um sucesso e a procura de escolas e municípios por tais eventos, que terminam sempre com a distribuição de exemplares de livros, escritos por um policial aposentado, também palestrante, tem demonstrado quão importante e simples podem ser ações que, em última instância acabam por aproximar mais a sociedade, no específico caso, a juventude estudante, das forças estatais.
 
Diante do caótico quadro em que se encontra a segurança pública, com a inequívoca confirmação de que a cada dia o crime organizado avança sobre nossa sociedade, em especial sobre a juventude, o Governo precisa urgentemente aproveitar os ensinamentos obtidos com essas iniciativas, seja do policial americano, de forma isolada, seja com a benéfica ação dos Policiais Federais Potiguares para trazer as suas forças de segurança para ações cada vez mais próximas das comunidades, quebrando velhos paradigmas e iniciando uma importante retomada de espaço, perdido pelo mesmo, junto à sua população de modo que, juntos todos, consigamos trazer de volta a esperança de uma vida de paz e fraternidade para o povo brasileiro.
Por fim, vale lembrar que em nenhum país em que a segurança pública funciona, seu governo abriu mão de ter políticas públicas que propiciem uma maior e densa proximidade de suas polícias com seu povo, respeitando os direitos de todos e garantindo o bem-estar de sua nação.