Cefas Carvalho

27/03/2019
 
O  "Surubão de Rondonópolis" e a hipocrisia nossa de cada dia
 
 
No Feicebuque nem tanto, mas no Twitter, o assunto da segunda-feira dia foi o "Surubão de Rondonópolis".
 
Milhares de postagens e hastags sobre uma orgia feita na cidade de Mato Grosso de menos de 150 mil habitantes, onde conhecidos na cidade héteros preconceituosos e pró-armas que apoiaram candidato truculento e homofóbico se deixaram filmar e fotografar em uma orgia entre eles mesmos e uma trans.
 
Nada de mais, claro. Vida pessoal/sexual é sagrada e não é da conta de ninguém. Contudo, a hipocrisia chamou a atenção e fez, infelizmente, o assunto ganhar dimensão jamais imaginada.
 
E o fato me lembrou reportagem que fiz para o Jornal de Natal nos anos 90, com os travestis que faziam programa na Avenida Roberto Freire, quem não era muito jovem em Natal nessa época lembra bem que haviam travestis a garotas de programas às dúzias na extensão na avenida.
 
Passei horas para ganhar a confiança de algumas delas e conseguir entrevistar algumas das travestis, já de madrugada. Conversei com quatro. Perguntei a elas sobre o perfil do cliente médio delas. TODAS responderam que a quase totalidade dos clientes eram homens entre 40 e 50, bem sucedidos e em carros caros, casados (o que era visível pela aliança) e com filhos (eles mesmos os diziam). Possivelmente religiosos e conservadores, ou seja, os típicos cidadãos de bem.
 
Um dos males do Brasil hoje e fator por estarmos nesse caos é a hipocrisia, pode ter certeza.