Wellington Duarte

10/04/2019
 
A Nova Previdência e o Urro dos Ignorantes e Desinformados
 
Ontem, ao chegar a UFRN, fui interpelado por um aluno do curso de Ciências Econômicas, que me questionou sobre a “tal capitalização” que, na opinião dele, é “uma coisa legal” e que “se o governo der uma ajeitada a ‘reforma’ será até boa”. Depois recebi um estrondoso silêncio de um grupo de alunos, quando perguntei o que sabiam dessa “reforma”.
 
A maior, e melhor arma, do governo neofascista de Bolsonaro, é a desinformação e a mais completa e escancarada aliança já feita entre os setores financistas e a grande mídia, todos eles pactuados em ver o “mercado” da previdência social, ser abocanhado pelos bancos. É, ao lado da entrega do Pré-Sal e das ações da Lava a Jato, a maior ação criminosa feita contra a nação, desde o fim do regime militar. A mentira leviana, se tornou a prática do Estado e contra ela está uma sociedade enfraquecida, fracionada, aterrorizada e em estado de choque.
 
A burrice, a ignorância e maldade genocida se deram as mãos.
Em 100 dias os fascistas destruíram uma vasta rede de proteção social, com o fim do Mais Médicos, e nessa ação teve o apoio dos conselhos regionais e federal de medicina; o fim do Minha Casa, Minha Vida, que destroçou a construção civil; acanalhou o Ministério da Educação, hoje um campo de luta entre malucos terraplanistas e “olavestes” tresloucadas; acabou com políticas progressistas direcionadas a questão de gênero, entregando essa questão a uma figura grotesca; esculhambou as relações exteriores, e o Brasil se vê agora num mundo em que só existe EUA e Israel; acabou com as políticas de demarcações de terras indígenas, pois acreditam quem “índio tem que se civilizar”. A lista é bem maior, mas só esses exemplos mostram a terra arrasada que este governo já fez.
 
Em pleno século XXI, temos um governo formado por gente que acredita que a terra é plana; que Paulo Freire é um atraso; que Jesus subiu na goiabeira; que o aquecimento global é “coisa de marxista”; que quem não é “homem ou mulher, é uma anomalia”; que a boa educação se dá “no lar” e não na escola; e que para o pobre matar a fome basta subir nas mangueiras que existem nas ruas das cidades e se refestelar com elas.
 
E o mundo real, fora dessa bolha insana criada pelos bolsonaristas? O ultraliberal FMI reduziu a sua projeção do crescimento do PIB para 2019, de 2,5% para 2,1%. O Banco Mundial, que pertence ao FMI alertou que a pobreza cresceu de 7,3 milhões, em 2014, quando existia uma rede de proteção social, para 21 milhões em 2017, dois anos atrás e antes do aprofundamento da crise, portanto os dados podem ter tido acréscimos. São nada menos que 43 milhões de pessoas vivendo com cerca de R$ 20 por dia (R$ 600 ao mês).
 
Enquanto a Globo continua a ladainha de que “há sinais de melhoras”, as filas de desempregados só aumentam e o sentimento de desespero, começam a se tornar visíveis nas camadas mais pobres da população, pois não há nenhuma perspectiva que a tal “melhora” venha, de fato, a trazer algo positivo para suas vidas.
 
E, nesse contexto, a proposta de Nova Previdência, que nada tem de reforma, apresenta-se como a “solução final”, nos moldes hitleristas, para dar um “jeito definitivo nas contas públicas”, simplesmente empurrando milhões de pessoas para a mais absoluta miséria, enquanto os bancos pretendem se apoderar dos bilhões da Seguridade Social.
 
O cenário sombrio e devastador só poderá ser contido se as pessoas saírem da letargia e certamente aqueles setores mais acesso à informação devem ou deveriam ter o papel de desmontar o discurso mentiroso do governo sobre a proposta da Previdência Social.