Daniel Costa

12/04/2019
 
LULA ACEITARÁ?
 
 
Na roda do mundo virtual, voltou à tona a notícia de que Lula poderá ser transferido para o regime de prisão domiciliar. Segundo alguns analistas, não será surpresa se o STJ, nos próximos dias, reduzir a pena imposta ao ex-presidente; fato que lhe permitirá cumprir a reprimenda em prisão domiciliar, ainda que com as restrições judicialmente definidas. Isso significa, dentre outras coisas, a necessidade de ter que se apresentar peri-odicamente à justiça e a impossibilidade de sair da cidade em que reside, salvo autorização judicial. 
 
Caso essa situação se concretize, restará saber se Lula aceitará o benefício. Fosse um cidadão comum, a dúvida não ficaria de pé. Qualquer pessoa em boa consciência não deixaria de aproveitar essa oportunidade. No caso do ex-presidente, porém, a questão apresenta peculiaridades pró-prias, já que estamos a falar do maior líder popular da história do país, que afirma ser um preso político, porque condenado sem provas, à revelia da Constituição e da legislação penal vigente. De maneira que, ao render-se à prisão domiciliar, ele enfraqueceria o discurso da natureza política de sua condenação, além de perder um pouco da dignidade ao se humilhar acei-tando um encarceramento menos severo. 
 
Na realidade, essa seria uma segunda humilhação, já que a primeira ficou por conta do aparato policial utilizado na escolta do ex-presidente, para que ele fosse ao velório do neto. Foi como se a Polícia Federal estivesse a conduzir um perigoso traficante dos morros cariocas, que poderia ser libertado numa cinematográfica operação de resgate. Naquela ocasião, ao não impor condições para a sua saída, Lula foi diminuído. Cabisbaixo, aceitou a situação. 
 
Não que seja fácil tomar tal tipo de decisão. Privar-se de ver o pró-prio neto, pela última vez, pouco tempo depois de ter sido impedido de comparecer ao funeral do irmão, exigiria uma energia descomunal; como também é preciso notável força de espírito para rejeitar as conveniências de uma vida presa, mas em casa. 
 
Pensando o assunto, porém, sob uma perspectiva histórica, parece que a melhor atitude a ser tomada seria a de refutar o recolhimento resi-dencial forçado, para manter-se na luta pela liberdade de dentro da cela, sem sofrer uma nova desonra. Ao agir assim, Lula deixará mais estampada a natureza política de sua condenação, deslegitimando a mensagem, que se pretende transmitir, de que as regras do jogo jamais foram burladas du-rante a partida que o levou à prisão.