Andrezza Tavares

14/04/2019
Por Andrezza Tavares  e  Bernardino Sena Neto
 
 
 
A coluna se inspira no ensaio acadêmico intitulado “História das ideias pedagógicas no Brasil”, do expoente da política educacional brasileira Demerval Saviani. Reflete sobre a pedagogia no Brasil originada no período colonial, especificamente entre os anos de 1549 e 1599.
 
Na organização social das tribos indígenas nativas, antes da colonização portuguesa, nas chamadas terras “desconhecidas”, as tribos indígenas não tinham uma organização social bem definida e estavam organizadas no território a partir de sua ação natural e de subsistência, pois se mantinham a base da caça, da pesca e da coleta de frutos nativos da região. 
 
A economia praticada entre os nativos consistia em um método de economia natural a partir da satisfação das próprias necessidades do grupo e da relação de troca distante da lógica do comércio capitalista. Dito de outra forma, se orientava pelo sentido da subsistência buscando a satisfação das necessidades efetivas dos integrates e restritas ao grupo local.
 
De acordo com a fonte pesquisada, não é possível dizer que nesse contexto, pré e pós colonização, existia um conceito formal sobre a ideia de uma pedagogia científica. No entanto, é possível afirmar a existencia de práticas de educação mediadas por meio de três estratégias centrais: a força da tradição, a força da ação e a força do exemplo.
 
A força da tradição se constituía como um saber orientador das ações e decisões dos homens. A força da ação  se constituía a partir da ideia de aprender fazendo. E, a força do exemplo como estratégia de atribuir aos mais velhos o papel de direcionar às ações e valores dos integrantes mais jovens a partir de seus exemplos de vida na sociedade.
 
Sendo assim, as ideias educativas daquele contexto coincidiam com a própria prática educativa e de socialização humana, “não havendo um lugar específico para a mediação das ideias pedagógicas científicas que supõe a necessidade de elaborar pensamentos intencionais para as formas de intervenção na prática educativa, seja no ambiente escolar ou não escolar” (SAVIANI, 2008, p. 39).  
 
Sob essas condições, a fonte aponta que é  correto pensar que existia educação, mas não pedagogia, como conceito formalmente construído e reconhecido nos dias atuais para balizar as práticas das ciências da educação.
 
Nesse contexto, a colonização europeia se deparou com o desafio de aculturar as comunidades primitivas locais por meio de formas específicas de intervenção educativa com fins de apropriação cultural. Tal movimento deu origem a chamada “pedagogia brasílica”.
  
Essa pedagogia pode ser entendida como o conjunto de orientações que os jesuítas buscaram implantar ao chegar no Brasil por volta de 1549, sob a chefia do padre Manuel da Nóbrega, que elaborou um plano de estudos que se iniciava com o aprendizado de português para os indígenas seguindo o pensamento cristão por meio da pedagogia tradicional.
 
Dentre as diversas congregações religiosas que vieram ao Brasil na missão de catequizar os nativos se encontravam: os franciscanos, os beneditinos, os capuchinhos, entre outros. Mas, aqueles que desenvolveram ações educativas mais consistentes na colônia foram os jesuítas. Estes, procederem de forma mais orgânica, exercendo o monopólio da educação nos dois primeiros séculos de colonização, pois eram tutelados pela coroa portuguesa e pelas autoridade da colônia, ao contrário das demais congregações que não tinham apoio e proteção oficial, operando de forma dispersa e intermitente. 
 
Em suma, os jesuítas, aliados a coroa portuguesa, conseguiram estender suas ações pedagógicas por quase todo o território colonizado pelos portugueses na América Meridional. A proporção desse território faz do ensino organizado por essa congregação o primeiro sistema de ensino da américa do sul, sendo ponto relevante de investigação pelos estudiosos da história da educação brasileira no período colonial.