Wellington Duarte

06/05/2019
 
Afinal, as Universidades são Locais de Balbúrdia?
 
Sou professor do Departamento de Economia da UFRN, considerada uma das melhores universidades do Brasil, desde 1995 e fui aluno dessa instituição, de 1983 a 1986 no Curso de Engenharia Química e de 1986 a 1991 no Curso de Ciências Econômicas.
 
E não deixo de me impressionar com os comentários de que há "desordens" e "bagunça" dentro das IFES e que é uma "terra de ninguém", como se as tribos de bárbaros dominassem as universidades, submetendo os pobres alunos que "só vão estudar" ao medo e ao horror.
 
Eu não tenho adjetivos para qualificar esses comentários, pois invariavelmente são de pessoas que gostariam que as universidades fossem escolinhas de escoteiros, com todos cantando "kumbaya" e dando maçãs aos professores, essas nobres criaturas que vivem em eterno meditar e labor.
 
O que os que vivem a dizer que as universidades são “centros de maconheiros” e de “vagabundos” nas praças e corredores, principalmente da área de Humanas, é óbvio, e que essa turba “perturba” o ambiente por ser “diferente”, querem é uma assepsia, uma “neutralização” dessa rebeldia (não confundir com revolução) e o fim das “ideologias de esquerda”, porque as de direita, limpas e cheirosas, não maculam o ambiente.
 
Essa BESTEIRA eu já escuto, vejamos, há mais de 35 anos, quando meu professor de O.S.P.B, essa porcaria que querem reintroduzir nas salas de aula, me expulsou da sala de aula porque eu estava usando uma CAMISA com a foice e o martelo desenhados. Convivi, como aluno, nesse “inferno” e já existiam as tais “tribos”, tão odiadas pelos “faxineiros” das universidades. E foi nesse “caos” que adquiri CONHECIMENTO e INDEPENDÊNCIA para escolher e trilhar meus “caminhos ideológicos”, algo que os “sanitaristas” querem impedir para as novas gerações.
 
NUNCA vi, na UFRN, batalhões de alunos, ensandecidos pelas drogas, invadindo salas de aulas nos centros e departamentos, mas vi pequenos grupos de fascistas ameaçarem meninos e meninas por causa da sua opção sexual, além de ameaçarem professores (fisicamente). Mas são tão pequenos e tão sem importância, que a vida lhes deu o ostracismo necessário.
 
Esse louco terrorista, que pertence a esse exército de pilantras reacionários, repetiu o que venho escutando há TRÊS DÉCADAS e esses mesmos que hoje falam que, APESAR de o maluco de plantão estar errado, existe mesmo esse ambiente torpe dentro das universidades, sempre estiveram por aqui. Essas criaturas devem viver dentro dos seus laboratórios, que agora vão ruir nas suas cabeças; nos seus grupos de pesquisa, condenados à extinção; ou passam o tempo caçando revistas científicas para publicarem artigos, alguns deles escritos pelos estudantes (quem não já ouviu falar disso?).
 
As universidades, espaços de CRIAÇÃO e DESENVOLVIMENTO das ideias, nunca serão “domesticadas” e devem MESMO ser um local de contradição, de perturbação e de inquietação. As universidades não são centros de escoteiros e nem são “escolões” de ensino fundamental.
 
Liberdade, nas universidades, é o FUNDAMENTO necessário para a construção de uma sociedade plural. O resto é mera cretinice desses “sanitaristas”.