Andrea Nogueira

18/05/2019
Femi, Homi, Paz
 
No Brasil já foram registrados muitos casos de violência dentro de relacionamentos que deveriam ser permeados somente de amor. A situação é antiga. Mulheres e homens se relacionam há muito tempo. Esta relação cheia de beijos, abraços, promessas de amor e momentos de extrema ternura também podem intercalar desentendimentos e descontentamentos. Contudo, não devem intercalar com a violência. Nessa linha, diante da real existência de violência física entre homem e mulher e, na sua esmagadora maioria, do homem para com a mulher, o poder legislativo vem agindo de forma rigorosa, tipificando crimes na tentativa de conscientizar a sociedade sobre o que é errado.
 
No que pese a preocupação do poder público e de vários grupos da sociedade civil organizada, muitas pessoas ainda desconhecem a necessidade de frisar alguns crimes para fins de combatê-lo. Falam de “Mi Mi Mi” e “divisão da sociedade”, mas não procuram compreender o que impulsionou a criação desses instrumentos de combate ao crime. Sobre o Feminicídio, falam que “é uma besteira, pois já existe homicídio”. De fato, se coexistissem para diferenciar morte de homem e morte de mulher, estaríamos diante de um equívoco. Homicídio é o assassinato de alguém, independente do sexo. Ocorre que, diante das inúmeras situações de violência contra a mulher dentro dos relacionamentos, causando até a morte delas, nasceu a preocupação de tornar este homicídio um crime hediondo, ou seja, um crime mais grave, com maior punição. Assim, em 2015 criou-se uma Lei e, como é de costume, foi dado a ela um nome (além de um número), chamando-a de Lei do Feminicídio. 
 
O FEMI foi usado para lembrar quem está sendo protegida, mas uma parcela da população insiste em multiplicar críticas, como se agravar este tipo de homicídio fosse extremamente desnecessário. Não por acaso, pessoas que pensam assim geralmente tem histórico de subjugar a mulher e desrespeitá-la com frequência dentro do seu próprio relacionamento. Parece uma coincidência, mas não é. Trata-se de uma constatação. Indignar-se tanto com o agravamento de um crime que visa combater a morte de mulheres por seus parceiros, não é razoável. 
 
Mas este comportamento de incompreensão do Feminicídio também é de muitas mulheres. Não à toa, mães, filhas e esposas vivem imbuídas em relacionamentos tão cheios de violência, que chegam a se adaptar, achando tudo normal. Elas, de fato, correm o risco de acreditar eternamente que não devem reclamar de gritos, humilhações, traições, tapas, sexo sem vontade, fantasias que não lhe dão prazer, apertos, beliscões ou piadas pejorativas na frente de amigos e familiares. Algumas mulheres já se acostumaram com o seu companheiro olhando para outras na sua frente e ainda fazendo piada sobre o quanto elas são lindas e inigualáveis. Algumas mulheres simplesmente se renderam ao machismo, pois ainda desconhecem o feminismo em sua essência. Os homens dessas mulheres não sabem o que estão prestes a perder, pois chegará o tempo em que elas reunirão forças para reagir.
 
A nomenclatura Feminicídio apenas denomina um Homicídio mais grave – aquele cuja vítima é uma mulher, a qual se deveria amar. Sendo mais grave, tem penalidade maior. De fato, morrer por não conseguir força física ou psicológica para reagir e se livrar de uma relação perigosa não é Mi Mi Mi. O que faz lembrar uma antiga frase: “vai procurar alguém do seu tamanho!”.