José Pinto Júnior

20/05/2019
O jornalista José Pinto Júnior entrevistou no mês de abril, o escritor Leonardo Dantas. Ácido pesquisador, Leonardo tem formação em jornalismo e quando estava escrevendo “A engenharia norte-americana em Natal na Segunda Guerra Mundial”, cursava engenharia. Decidiu juntar às duas coisas no seu livro. 
 
Pinto Júnior: Leonardo queria agradecer a sua presença no programa de hoje. 
 
Leonardo: Eu que agradeço Pinto Júnior. 
 
Pinto Júnior: Esta aqui é o seu TCC como surgiu a ideia de focar neste tema? 
 
Leonardo: Eu sou jornalista de formação e pesquisador da segunda guerra, e estava cursando engenharia. E queria unir às três coisas — o jornalismo, a pesquisa e a engenharia. Então surgiu o tema, a segunda guerra no Rio Grande do Norte — e que os americanos fizeram de infraestrutura. 
 
Pinto Júnior: E o que você destaca do legado americano aqui no Rio Grande do Norte? 
 
Leonardo: Parnamirim não existia como município, mas já existia uma comunidade aqui próspera, no município que foi crescendo. E o que acabamos descobrindo também é que a segunda guerra é um tema inesgotável — o desenvolvimento da cidade do Natal e região metropolitana se deu no sentido leste, porque, a pista de asfalto. Hermes da Fonseca, Salgado Filho até chegar a BR 101, e a cidade cresce nesse sentido. Além das dificuldades encontradas pelos engenheiros como a falta de mão de obra, as dificuldades do relevo por ser uma duna. É um trabalho técnico de engenharia esse livro. Mas didático.
 
Pinto Júnior: O que falar da engenharia e a cidade do Natal? 
 
Leonardo: Natal antes mesmo da segunda guerra, ela já tinha contato com a aviação. Passou aqui Natal recebeu aviadores famosos. Só que era uma cidade provinciana. Poucos habitantes — após a guerra Natal dá um boom de desenvolvimento. Você tinha uma dúzia de veículos, após a guerra você passa a ter centenas. Aí tem a necessidade de se fazer a estrada. A primeira estrada asfaltada do Rio Grande do Norte. Tinha pipeline que vai desde Santos Reis (bairro de Natal) até Parnamirim, o detalhe é que são 24 quilômetros, isso é impensável hoje em dia. 
 
Pinto Júnior: Tem um capítulo que você fala das obras, Parnamirim Field.
 
Leonardo: Sim, são quatro obras que nos relatamos. Parnamirim Field, a Rampa, o pipeline e a pista. Ao longo dos anos a gente perdeu muito o que foi feito aqui na grande Natal. Um trabalho recente junto ao Ministério Público Federal — pontua 27 locais em Natal de resquícios da segunda guerra. Uma coisa importante; esses documentos foram liberados recentemente. O governo americano liberou na década de 90, só que ficou guardado e eu tive acesso aos documentos. 
 
Ao final da entrevista, o escritor destacou que o asfalto das primeiras vias de Natal era processado em Trinidade Tobago. À época, o então prefeito de Natal foi procurado pelos americanos para entrar com uma contrapartida para que o asfalto seguisse até o porto de Natal. O livro ainda relata decisões políticas do governo brasileiro cruciais para a aproximação com os americanos.