Wellington Duarte

30/05/2019
POR QUE SE ATACA A UFRN ?
 
Nos últimos meses, e especialmente nas últimas semanas, tem se verificado um furioso ataque à UFRN, pautada por um falso discurso de “moralidade” e “preocupação com o ensino” e que considera, a grosso modo, a UFRN, um antro de comunistas e petistas, professores doutrinadores, gestão irresponsável e uma horda de bagunceiros maconheiros, que passam o tempo a drogar-se e fazer “balbúrdia”.
 
Os detratores pegam os números fazem piruetas estatísticas para apontar o dedo acusador para essa instituição que, hoje, representa, no seu conjunto orçamentário, 13% de todas as receitas do governo estadual (para 2019) e quase a metade do orçamento da cidade de Natal.
 
Os malabaristas, tendo como base seu recalque e ressentimento contra a UFRN, misturam as rubricas orçamentárias, custeio, investimento e despesas obrigatórias, para tentar mostrar a “ineficiência” da instituição, sem levar em consideração o singelo fato que, até a degeneração da economia, começada em 2015 e acirrada pelo Golpe de 2016, ela figura entre as melhores e maiores do país, sendo considerada, inclusive, modelo de “governança”.
 
A UFRN é atacada, por esses fariseus, por ser exatamente o que é, um espaço de criação e desenvolvimento de ideias, muitas delas aplicadas nas comunidades e que se tornou, ao longo da sua existência, uma instituição que passou a ter uma forte penetração nas diversas instâncias da sociedade potiguar. Atravessou a Ditadura; vivenciou a volta da democracia; a era de “seca orçamentária”, nos anos 90; e surfou nos 13 anos de expansão do sistema universitário brasileiro. Agora, vive sob o cerco do reacionarismo medieval.
 
A UFRN não, e nem nunca foi, um mosteiro, separado da sociedade, e, por isso, está sujeita a todos os elementos que formam esta, ou seja, a defesa da UFRN não deve esconder as contradições que estão dentro dela, o que a torna mais necessária, pois é no espaço da pluralidade que as ideias florescem.
 
Essas figuras sombrias, vindas das brumas da Idade Média, querem, de fato, enfraquecer a instituição, criar “torniquetes ideológicos” e impor o “não saber”, como prática da construção de um “novo saber” que é, na realidade, uma proposta de restringir a pluralidade.
 
Defendamos a UFRN!