Cefas Carvalho

05/06/2019
 
Vende-se. Aluga-se. Procura-se emprego. Crônica de uma crise que não passa
 
 
As placas proliferam como xananas em Natal, principalmente em bairros como Petrópolis, Tirol, Centro, Lagoa Nova, e também em Parnamirim, na cidade quase inteira. "Vende-se". "Aluga-se". Bares, restaurantes lanchonetes, butiques, mercadinhos, antes abertos, agora estão de portas fechadas em pleno horário comercial.
 
Uma passada rápida na Grande Natal, Macaíba, Ceará-Mirim, São José de Mipibu, e pode se ver que o quadro é o mesmo. Imóveis vazios, com as placas esperançosas de sempre. Sei que o quadro é parecido no Rio do Grande do Norte inteiro, na verdade, no Nordeste, no Brasil, com exceções que apenas confirmam a regra.
 
Não era para ser assim. Crises econômicas globais, tsunamis, ondas ou marolas, vêm e passam. A crise econômica brasileira parece crônica. Veio e não quer ir embora. Na verdade, não se vem fazendo muito para que ela se vá.
 
Em 2016 criou-se o mantra de que "é só Dilma sair que tudo melhora". Dilma foi afastada da presidência, o vice golpista, missivista e conspirador Michel Temer assumiu e nada da crise passar. Pelo contrário, ela se agravou.
 
Com a campanha eleitoral, criou-se mais um mantra, que "se o PT vencer, o Brasil vai virar uma Venezuela", ou seja, entre outras coisas, com crise econômica das brabas. Pois o mercado fez campanha para o presidente que, enfim, foi eleito, Jair Bolsonaro, e no trimestre final de 2018 a crise não passou.
 
Chegou 2019, Bolsonaro assumiu, com ele o todo-poderoso ministro Paulo Guedes, o "Posto Ipiranga", com as bençãos do Mercado e nada da crise passar. O presidente parece mais preocupado com coisas de menor importância ou paralelas (golden shower, questões morais, afrouxar regras de trânsito, radares eletrônicos) do que com a crise econômica.
 
Enfim, chegamos ao primeiro semestre de 2019 com a crise instalada em nossa casa, como uma visita indesejada e, pior, sem perspectivas de que se vá. Conforme previsões pessimistas do próprio Mercado, de Guedes e dos empresários, estes que eram até otimistas no final do ano passado.
 
Enquanto isso, vamos todos preparando as placas de "Vende-se" ou "aluga-se". Pelo menos para quem faz placas, não deve estar havendo crise.