Cefas Carvalho

12/06/2019
 
 
Para muita gente o ´Caso Moro` é vista com olhos de torcedor. E isso é péssimo!
 
 
A esta altura dos acontecimento pode se dizer que todo mundo já sabe das reportagens do The Intercept que relatam as mensagens trocadas entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol. mensagens na qual os dois armavam (acho que esse é o termo exato) estratégias e trocavam informações. 
 
Mesmo quem não estudou Direito sabe que este tipo de intimidade entre juiz e investigador (que é um dos lados, o da acusação) não é saudável, não é sensata. Na verdade, possivelmente nem mesmo é legal.
 
Entidades como OAB nacional e associações de magistrados já criticaram Moro e pedem seu afastamento do ministério da Justiça.
 
Mas, nas redes sociais, boa parte das pessoas defende Moro. Claro que esse pessoal tem o direito de defender Moro, Neymar, Getúlio Vargas, Calígula, quem eles quiserem, ainda vivemos em uma democracia.
 
Mas, também, há que se analisar algumas coisas.
 
Estou percebendo pessoas 1) Defenderem Moro/Dallagnol sem sequer terem lido a matéria, com ânsias de torcedor (ah, o FlaxFlu)! 2) Descredibilizar o The Intercept e o jornalista Glenn Grenwald 3) Desmerecer o conteúdo e o alcance da matéria.
 
Vamos lá: O pior cego é sempre aquele que não quer ver. A título de informação, a matéria do The Intercept e o que ela contém (um grave conchavo entre juiz e investigadores) já ganhou o mundo. Numa pesquisa rápida contei 25 reportagens em veículos internacionais (em menos de 72h). Ou seja, a imprensa internacional entendeu que há algo grave e que Moro deve ser devidamente investigado sobre isso.
 
Voltemos às redes; Percebo que o padrão de defesa do ministro é sempre o de desqualificar a reportagem (sem ter lido) e apontar os supostos crimes de Lula e do PT (o que não é o mérito da questão). Enfim, quase todo mundo que defende Moro nas redes o faz com argumentos de torcedor de futebol, não com base no conteúdo do que foi divulgado ou argumentos de ordem jurídica-legal.
 
Sim, isso é péssimo. Analisar e julgar questões políticas de impacto nacional como se estivéssemos em uma Fla x Flu (ou América x ABC, para os potiguares) não acrescenta nada ao debate. Pelo contrário, saimos de um universo de fatos e regras (reportagem jornalística e mundo jurídico) para o terreno pantanoso do "achismo" e da torcida apaixonada ("meu time é melhor que o seu", "o seu time roubou o meu").
 
Portanto, caberia no momento menos passionalidade e mais leitura. Menos torcida ("somos Moro", "estou com Moro e não abro") e mais reflexão.
 
Mas, talvez seja pedir demais.