Nicole Tinôco

21/06/2019
 
Ah junho do meu agrado, acaba não!
 
Existe uma áurea de amor que paira pelo mês de junho e que somente um verdadeiro nordestino entende do que se trata de fato. No começo deste ano mudei de emprego, lá conheci uma gaúcha e hoje somos boas amigas. Eu como natalense apaixonada que sou, procuro sempre mostrar a Natal “raiz” para ela. Quero que ela conheça o restaurante Camarões, patrimônio potiguar, mas faço questão de levá-la ao boteco do Mineiro, no quarteirão da nossa casa (ambas moramos em Ponta Negra), para que possa ver um pouco além dos roteiros turísticos tradicionais. Ela que veio do Sul, dentro em breve, será uma especialista nos roteiros norte-riograndenses, deixa comigo. 
 
Vamos lá, eis que chega o mês mais esperado. Viva junho! Começamos o mês eu e ela na intenção de ir ao “Pingo da mei dia”, o tão famoso evento da cidade de Mossoró. Estávamos animadas, eu muito mais, é claro, pensando nos looks, na estadia, transporte, mas infelizmente um resfriado pesado tirou as duas novas amigas desta agenda que eu tenho certeza que seria inesquecível. Teria amado iniciar a apresentação das festividades juninas  logo com a melhor delas:  a “rave do forró” que é o “Pingo”, mas não deu, fica para o ano que vem.
 
Me divirto com as reações dela, sinto que é como se todo dia fosse um pequena surpresinha, a mudança na cidade, as ruas coloridas cheias de bandeirinhas, as vitrines tomadas pelo tecido xadrez, as nossas programações sempre regadas à boa e velha cachacinha e ao som, é claro, de um forrozinho gostoso. Ainda não 
consegui arrastá-la para nenhum arraiá mas eu sou nordestina, não desisto e ainda tenho alguns diazinhos pra tentar empolgá-la e mostrar a ela o “chiado da chinela”. 
 
Empolgar. É muito difícil explicar para um não nordestinho o que a gente sente quando toca: 
 
“Explodi meu coração, feito bomba no São João... Chão batido de chuvinha, só pra ver tuas perninhas..”, dá um “siricutico” nas pernas, um calorzinho no coração, uma vontade louca de agarrar a primeira pessoa que estiver na frente e sair rodopiando um forrozin apertado. É bom demais junio!
 
Ainda nesta coisa de tentar dizer pros amiguinhos de outros Estados que essa é a melhor terra do mundo e que estamos no mês mais apaixonante do ano, estava eu no bom e velho barzinho 54 (aquele que é o meu lugar, procura aí nos textos anteriores) um dia desses, estava só jantando, era uma segunda- feira, 30% de desconto nas comidinhas, melhor lugar não há para se alimentar após um dia exaustivo de trabalho. 
 
Chego lá no “meu bar” e ele está tomado de forasteiros. Minha gente, era uma segunda e em uma só mesa havia mais de 100 pessoas. Eles estavam em toda parte, todas as comidas eram para eles, os drinks; o karokê virou uma festa universitária, (eram estudantes de engenharia participantes de um congresso). O bar estava “repangalejando” de jovens de todo o país. Confesso que não curto muito, sou meio possessiva, queria ali só meus amiguinhos vizinhos de Ponta, um ou outro que apareça de outros bairros, ok, é até bom para a gente ter conversas novas, mas aquilo era “festa estranha com gente esquisita”, não contei conversa, pedi a conta. 
 
Mas né, eu sou aquela que adora um papo! Estava no caixa quando conheci uma curitibana, a gata me convenceu a cantar uma música em inglês com ela. Me vendo facinho, facinho, fui lá cantar. Olha que cosmopolita: a sulista, com a potiguar que vos escreve, cantando música em inglês, num bar que tem uma pegada meio alemã. Deu bom! Fizemos amizade sincera e passamos a noite eu, ela, e a galera dela do congresso. Ri muito, com a disparidade de cultura, sotaques, gostos. Mas vem sempre aquela pergunta de turista: “- E o que tem de bom aqui pra fazer? Temos o dia livre amanhã!”. 
 
Falei pra eles dos roteiros tradicionais Genipabu, Pipa... dos "alterna", disse pra irem conhecer o Beco (da Lama, que tá lindoo), Zé reeira , Samba de Nazaré e afins, mas fui enfática: se puderem vão num arraiá de rua, por favor! Passei uns 30 minutos explicando o que tentei até agora passar para vocês e nem sei se consegui neste texto. Disse a eles que vir ao Nordeste no mês de junho e não viver o São João é o mesmo que ir à Argentina e não ver/dançar um tango. Ah, poxa alguns deles foram. Que lindo!!
 
Foi massa ver no instagram (que troquei, é claro, com paulistas, cariocas, nortistas..) a galera toda de “quadriculado” e chapéu de palha, fiquei todaaaa besta e com sentimento de missão cumprida. Dizem que não pareço nordestina, outros falam que não pareço natalense. Uma coisa eu sei, eu quero muito rodar o mundo, todo ele se possível, mas meu coração potiguar bate forte mesmo é com um sonzinho da sanfona. 
 
E pra terminar, convido aqui vocês: tem o São João do Bode Expiatório hoje na famosa praça do Gringos aqui mesmo em Ponta Negra. Ou então procura aí no seu bairro qualquer lata batendo esse mês que é valido! Só não vale deixar passar em branco! Não deixem de
 
“dançar São João na roça, roça de milho, roça meu filho, roça assim, seu corpo em mim”
 
Feliz junho a todXs!
Xêro no coração!