Evandro Borges

28/06/2019
 
O Midway e o lulaço
 
Estive no shopping Midway ponto que vem se tornando tradicional para iniciar os eventos de ordem política, como no passado já foram os cruzamentos das Ruas João Pessoa com a Princesa Isabel, a Praça Padre João Maria, a Praça Gentil Ferreira no Alecrim, talvez por ser na atualidade o maior centro comercial, com estacionamento amplo e uma variedade de produtos disponíveis com excelente praça de alimentação e frequentado por todas as classes sociais, com lugares estratificados, mesmo assim, plural.
 
O evento dentro do shopping era a novidade, aguardado pelos participantes, e com muita preocupação dos seguranças, alguns lojistas, no entanto, tudo ocorreu na paz, sem desentendimentos, sem óbices e obstáculos, manso e pacífico, dentro de uma situação harmoniosa, de manifestação e ao mesmo tempo da continuidade regular das atividades comerciais.
 
O espaço comercial é público, no entanto, nos shoppings existe um ar de proibição, de postura fechada, de rigidez, em que pese à beleza com quadros de paisagens urbanas que chamam atenção, como a Praça da Espanha de Sevilha, a fonte de Cibeles em Madrid harmonizando com a arquitetura e luzes, tudo muito limpo, todos de voz baixa e educada, como se não fosse o Brasil de muito barulho.
 
Nos shoppings ficaram famosos os “rolé” da juventude suburbana, fora do padrão das roupas de marcas, que deixam todos no ambiente comercial desesperado, um evento considerado de contracultura, que nada consomem, estando na exclusão, querendo reivindicar inclusão e cidadania, dizendo que são “gente” de carne e osso e que merecem ser respeitados e tratados com dignidade.
 
O ato do Midway em Natal foi uma avalanche colossal, uma surpresa para muitos, principalmente, para a segurança interna, demonstrando tensão, o público estava presente com todas as idades, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres, militantes políticos, simpatizantes, sindicalistas, defensores de Lula, lutadores pela democracia, indignados, combatentes em defesa da Constituição, representantes de organizações, muito eclético, todos com um sorriso largo, agradecendo as adesões, principalmente, dos comerciários, alguns mais exaltados pulavam de emoção e alegria.
 
De frente aos cinemas descendo a escada rolante, o ato começou com defraudações de bandeiras, camisas, bonés, cartazes, os celulares não paravam de fotografarem e filmarem, todos gritando “Lula Livre”, bandeiras vermelhas com as bandeiras do Brasil se confundiam e davam um colorido especial, aqui e ali, mudavam as palavras de ordem, todas em torno da liberdade de Lula, puxado pela música do flautista, foi dado continuidade atingindo a Praça da Alimentação mais popular.
 
O ato seguiu de forma entusiástica, muitos abraços e confraternizações, uma alegria radiante que estava expressa nos rostos dos participantes pelos seus significados, que eram muitos, desde a necessidade da liberdade de Lula, como também, pela quebra do gueto comercial rompido, ficando clara a possibilidade naquele recinto sisudo, o afloramento da liberdade de manifestação, de pensamento, de pluralidade, e que todas as classes sociais tem direito de entrar e em paz exercer o direito a liberdade. De fato uma manifestação histórica.