Andrezza Tavares

07/07/2019
   
Por Andrezza Tavatres
 
   O dia 07 de julho de 2019 é um contexto emblemático para o Brasil, pois será palco de duas importantes finais de futebol, esporte que exerce profunda influência na identidade cultural brasileira. Na França acontecerá a final da Copa do Mundo feminina, no Brasil acontecerá a final da Copa América, ambos os torneios internacionais de futebol. 

 

        O futebol trazido da Inglaterra pelas elites se arraigou entre a população do Brasil na medida em que se expandiam os centros urbanos. O esporte se torna um elo entre as massas seja nas arquibancadas ou nos campos. Como todo evento sociológico, a experiência do futebol retrata a carência de oportunidades e de valorização do gênero feminino no Brasil. 

 

        Sobre a relação gênero feminino e a prática do futebol, duas perguntas não querem calar: 1) Por que o Brasil que tem a seleção feminina composta de excelentes jogadoras, dispondo no seu elenco, inclusive, da melhor jogadora do mundo, eleita seis vezes por esse mérito, não está entre as seleções que concorrem a final do mundial?; 2) Por que a trajetória dos jogadores da seleção masculina do Brasil é sempre tão esperada, desejada e garantida?

 

       Aspectos importantes para responder as provocações anteriores são percebidos a partir do pensamento sobre a cultura da exclusão e da subalternidade historicamente imposta à mulher no Brasil. As jogadoras da seleção feminina de futebol se concentram no campeonato com intensidade e seriedade. Não se pode negar que toda classificação que conquistam representa importante triunfo para o gênero no Brasil expresso por meio do esporte. 

 

          Extraordinário seria se junto com a raça e o exemplo das atletas femininas, a sociedade brasileira passasse a reconhecer e a valorizar a condição da mulher nos múltiplos espaços e funções sociais que elas ocupam.

 

         Desejamos que o mundo prestigie a final da Copa feminina refletindo sobre os desafios abissais que as mulheres, representadas pelas jogadoras, enfrentam cotidianamente no campeonato da vida!

 

        Como diz a música joga a bola no meu pé: "Se você pensa que é fácil a vida dessa mulherada mas não é não, você "tá" enganado. Antes de jogo, não tem balada. Além de muito treino e dedicação, não tem final de semana nem feriadão e se quiser pagode só tem no busão". Então fecha com a palma agora no refrão"...

 

          Sobre a copa América? Claro que o nosso coração entrará em campo com os jogadores da seleção masculina de futebol. Gritaremos "VAI BRASIL" sempre que o coração acelerar. Avaliaremos respeitosamente a seleção do Peru e, nessa audiência, ativaremos a consciência crítica para perceber o engajamento e os resultados dos atletas da seleção masculina de futebol atendidos com as condições satisfatórias para o excelente desempenho de seus trabalhos.