Arthur Dutra

11/07/2019
 
O que uma cidade precisa para ter sucesso?
 
“À medida que a participação da população com grau superior aumenta em 10%, o produto interno bruto metropolitano per capita aumenta em 22%”. Esta é a conclusão do economista Edward L. Glaeser, professor de Harvard e autor de “Os Centros urbanos, a maior invenção da humanidade”, que enxerga com muita propriedade a correlação entre o nível de educação e a riqueza produzida por uma metrópole. Por isso, além das necessárias mudanças no Plano Diretor de Natal, sobre as quais venho falando com bastante frequência como necessárias para destravarmos nossa cidade, precisamos também jogar algumas luzes sobre o nosso capital humano. Colocada essa crucial questão à luz do dia, infelizmente não encontramos boas notícias.
 
Segundo dados do IBGE, em 2009 Natal tinha 179.097 crianças e adolescentes matriculados nas escolas locais, somados os ensinos fundamental, médio e pré-escola, divididos da seguinte forma: Pré-escola, 18.608; Ensino fundamental, 118.705; Ensino médio: 43.784. Ao longo de uma década esses números foram caindo ano a ano de forma inexplicável, chegando, em 2018, a um total de apenas 147.967 matrículas nos três níveis de ensino, sendo: 18.195 na pré-escola, 99.212 no fundamental e 30.560 no ensino médio. Se a escola não está sendo um lugar atrativo, algo está muito errado. E causando prejuízos.
 
Não admira, portanto, que no IDEB (índice de Desenvolvimento da Educação Básica) Natal ocupe a 3997ª colocação entre todos os 5.570 municípios brasileiros, com nota 4,8 nos primeiros anos do ensino fundamental, e 3,3 nos anos finais, piorando ainda mais a situação, quando caímos para o 4883º lugar. Considerando apenas os 167 municípios do RN, ficamos na 40ª e a 86ª colocações, respectivamente. São dados alarmantes para uma capital com mais de 400 anos de história.
 
Esse contexto tem se refletido negativamente no nosso ambiente econômico (Natal é apenas o 1530º PIB per capita do Brasil), pois, além de outros fatores internos e externos, não estamos formando pessoas de uma maneira minimamente adequada para os desafios da vida e do mercado de trabalho, que tem uma permanente demanda por profissionais qualificados, mas não os encontra facilmente. É então compreensível por que, mesmo num momento de grande desemprego no país inteiro, tenhamos vagas disponíveis que não são preenchidas por falta de gente com boa formação. 
 
Eis aí o tamanho do desafio que temos que enfrentar para recolocarmos Natal na rota do desenvolvimento. Precisamos atuar em várias frentes, tais como a já citada atualização da legislação urbanística para adequá-la às necessidades atuais para que o território metropolitano, livre das amarras do atraso, seja o ambiente onde as pessoas possam trabalhar, inovar e elevar nossa capital para o patamar de destaque aonde merece estar. Para isso, precisamos também oferecer uma educação que mude radicalmente aquelas estatísticas desastrosas, transformando vidas e fazendo-as realizadas através da qualificação e da produtividade. A cidade ganhará, e muito!, com isso.