Nicole Tinôco

12/07/2019
 
Desesperar, jamais... esperançar!
 
 
Quem me acompanha por aqui tem uma leve noção de que meus dias não têm sido muito fáceis e esse mantra da música de Ivan Lins ecoa na minha cabecinha desde semana passada : 
 
- Calma, não se desespere. Você já passou por muita coisa, vai superar! 
 
Aí você mentaliza dias melhores, busca forças de onde não têm e segue. Vem a sexta-feira, recebe carinho dos amigos que leram sua coluna e sai toda feliz pensando: 
 
- Ah, dias melhores virão ! 
 
Mas havia um sábado no meio do caminho, no meio do caminho havia um sábado. O que acontece? Você vai pra uma festa estranha com gente esquisita, e tal qual o Eduardo da música você não tá legal, não aguenta mais aquilo ali e parte pra casa: 
 
- Só quero o meu travesseiro. 
 
Tudo estaria certo, dentro do planejado pra vida. Desacelere, não force a barra. O mundo não vai acabar hoje, foi só uma festa diferente. Pegue o uber e vá pro seu cantinho. É, mas eis que o ser humano aqui teve a belíssima ideia de deixar o carro a uma quadra de casa. 
 
- Ah! Vou a uma festa de jovens de 20 e poucos anos, não vou me empolgar mesmo. Volto cedo e como já está na hora de começar. Melhor deixar o carro aqui que é mais fácil pegar a condução na volta.
 
Inteligência, a gente vê por aqui. Não voltei tão cedo assim, 23h, era escuro, e “crash”, bati o carro numa barra de ferro que saía de uma caminhonete e o sensor não detectou. 
 
Pense numa sensação horrível, você acha que matou alguém, machucou. Internamente parece que arrancaram um pedaço de você, por desleixo, por pura culpa sua. 
 
Fiquei arrasada. Não apenas pelo prejuízo financeiro mas porque eu sabia que a responsabilidade era toda minha. Aquela que a gente não pode terceirizar e que você mesmo tem que arcar. 
 
Não dormi. Passei a noite me martirizando (sou aquariana, mas devo ter lua em câncer de tão dramática). 
 
- Quem é mais sentimental que eu..
 
Desci na garagem, na madrugada para rever o estrago, e esta agonia eu levei comigo até às primeiras horas do dia seguinte. 
 
O domingo amanheceu cinza como minha energia. Mas eu tenho um anjinho que sempre consegue me salvar nas piores situações. Veio meu Biel, com toda sua alegria me trazendo mil motivos para sorrir. Fomos ver o jogo do Brasil (que ele odeia). Mas a seleção foi campeã, estávamos junto de muitos amigos em um lugar que amamos a Cervejaria Resistência e o domingo acabou mais que bem. 
 
Sei que o relato até aqui está meio ”meu querido diário” e nem sei se alguém vai se interessar pelo texto de hoje. 
 
Pretendia falar sobre o quão dura foi pra mim a morte do gigante Paulo Henrique Amorim, como sentirei falta do seu jeitinho radical, do seu “olá tudo bem”, do seu jornalismo combativo e porque não dizer militante (que não é demérito algum). Contar que chorei o dia todo, que lamento não ter te conhecido,PHA, mas hoje não deu. A vida tá intensa demais e não consigo falar de outra coisa senão dessa minha rotina.
 
Semana que começou como relatado, não foi fácil, mas também foi incrível. Uma dualidade de sensações. Estive com uma galera linda de João Pessoa e Recife que gravava um trabalho de audiovisual aqui pela terrinha. Me diverti horrores com eles. Mas, ao mesmo tempo, doeu na minha alma a aprovação da reforma da previdência. 
 
Ainda nessa dicotomia de sentimentos estou tendo o prazer de receber uma amiga que amo profundamente. Minha “gringa” italiana está esses dias aqui em Natal (Lili, te amo!), eu fico tentando encaixar os “xerinhos” e abraços cheinhos de saudades dela com a rotina corrida do trabalho de assessoria nos dias que antecedem o recesso legislativo. É muita Lei, emenda , sessões que duram 6h seguidas e pouco tempo para o amor. Mas para quem a gente ama sempre arrumamos um tempo e dar-se um jeitinho, ainda que entre uma conversa e outra acabemos em rápidos cochilos hehe
 
Muda energia, vam’bora que a sexta iniciou com alegria, carro recém saído do concerto e a certeza de que no fim da caixa-de-pandora de dias difíceis que venho passando não estão apenas todos os males do mundo. Pandora, já diria a mitologia, deixou escapar os males, mas no fundo da caixa havia a esperança. E a ela me apeguei. Tudo bem que ao descer do carro hoje meu celular, instrumento de trabalho, caiu na lama. Literalmente. Mas não chorei. Foi a última topada, aquela que usualmente a gente desaba, mas segurei o choro. E eis que estou aqui, escrevendo nele. E por hora está, aparentemente a salvo. 
 
Dizem que esperança pode ser vista como um mal da humanidade, por trazer uma ideia superficial acerca do futuro. Mas eu esperanço! Acredito sempre que algo melhor está por vir (até porque né mores, pior que tá , risos). Me apego à esperança, torço que vem coisa boa por aí e sigo. Levo comigo meu sorriso (que trupica mais não cai) e uma dose imensa de fé no amanhã.