Arthur Dutra

17/07/2019
A segunda mina de ouro de Natal
 
A tecnologia está na pauta do dia no mundo inteiro. Seus avanços, possibilidades, benefícios e até seus perigos são discutidos por cientistas, engenheiros, sociólogos, filósofos, políticos etc. Nossa vida mudou muito graças à tecnologia, e ainda vai mudar muito mais. Mas como isso pode impactar positivamente na qualidade de vida urbana? Como nossa cidade pode ter uma melhora nos indicadores urbanos e econômicos com a ajuda da tecnologia? Eis aqui um ponto que merece uma reflexão nesse momento histórico.
 
Na coluna da semana passada apresentei dados catastróficos sobre a educação em Natal. A queda vertiginosa do número de matrículas nas escolas e as notas baixíssimas no IDEB são fatores que, sem dúvida, contribuem para a nossa atual estagnação econômica. É preciso, prioritariamente, rever o nosso próprio modelo educacional para salvarmos as próximas gerações de natalenses, e evitar que elas continuem querendo ir embora daqui por não encontrarem oportunidades de crescer na vida. Por outro lado, temos um imenso potencial para virar esse jogo, e a tecnologia pode ser um grande indutor desse ressurgimento. De quebra, podemos não só sair do buraco, como entrar numa rota de pioneirismo e desenvolvimento sem precedentes na nossa história.
 
Temos no Brasil e no mundo exemplos de cidades que apostaram alto na inteligência e na produção tecnológica e estão colhendo muitos frutos econômicos, além de terem encontrado soluções para seus problemas urbanos. Bangalore, Seul, São José dos Campos, Florianópolis e Recife, por exemplo, são inspirações para as cidades que desejam percorrer esse novo caminho. E quanto a nós? Temos, sim, um centro de excelência para ser esse polo produtor de tecnologia e de soluções urbanas. É o Instituto Metrópole Digital – IMD, encravado dentro da UFRN. E ele está pronto, mas precisa ter o protagonismo que merece.
 
Houve quem dissesse que os avanços tecnológicos iriam reduzir a interação física entre as pessoas. Hoje, porém, mesmo com a facilidade da comunicação à distância, nunca se viajou tanto a negócios para reuniões presenciais, por exemplo. A lazer, nem se fala. Existe, portanto, um crescente fluxo de pessoas pelo mundo pelos mais diversos motivos, e ele é altamente lucrativo para as cidades de destino. Falando em lazer, temos o turismo como vocação natural e precisamos rejuvenescê-lo com novos equipamentos para recuperar o espaço perdido na última década. É a nossa antiga mina de ouro e principal imã. Mas hoje temos no IMD essa outra jazida, que é para onde podemos atrair outro tipo de público, o que procura por conhecimento digital, oportunidades de negócios e um ambiente estimulante para criar e compartilhar novas ideias para o mundo que se avizinha com os avanços inexoráveis da tecnologia. Seria juntar o útil ao agradável, literalmente. 
 
Apesar de alguns esforços no passado, Natal nunca teve uma vocação para a indústria pesada. E neste quadrante da história, é perda de tempo investir na formação de um parque industrial tradicional. Mas na produção de conhecimento e soluções tecnológicas para um mundo cada vez mais veloz a ávido por novidades, sim, vale a pena. Não seria um passo, e sim um salto, que nos faria entrar pela porta da frente, e com a possibilidade de sentarmos na janela do trem que vai rasgar o futuro com muitas possibilidades para o natalense e, por tabela, para nossa cidade também, que ganharia duplamente ao apostar em bilhetes premiados como a tecnologia e o turismo.