Fumaça preta indica indecisão; cardeais voltam a votar à tarde

13/03/2013

Por: Folha de S. Paulo

 

A manhã do segundo dia de votações no conclave terminou sem a definição do novo papa. A fumaça negra voltou a sair da chaminé da Capela Sistina por volta das 11h39 locais (7h39 em Brasília), em sinal de que não houve consenso sobre o sucessor de Bento 16.

Isso significa que as duas votações desta manhã não reuniram os dois terços suficientes para eleger o novo pontífice, ou 77 dos 115 cardeais com poder de votos. Outras duas votações estão previstas para a tarde desta quarta-feira.

Com o anúncio, centenas de turistas e religiosos que estavam de vigília sob uma chuva fria deixaram a praça de São Pedro que, durante a manhã, registrou público pequeno. A previsão é de que o número de fiéis à tarde seja maior.

 

As votações desta quarta-feira começaram às 9h30 locais (5h30 em Brasília), após uma missa na Capela Paulina. Segundo o Vaticano, as cédulas das duas votações serão queimadas juntas, tanto no fim da manhã como no início da noite, caso não haja consenso.

Apenas em caso de eleição do papa haverá fumaça no meio da manhã ou da tarde. Para esta tarde, a expectativa é que o resultado da primeira votação seja obtido até as 16h (12h em Brasília) e a seguinte, por volta das 19h (15h em Brasília).

Assim como no primeiro dia, o Vaticano reforçou a fumaça preta, para que não ficassem dúvidas sobre a cor do sinal. Em 2005, as emissões da chaminé causaram confusão ao público e aos jornalistas presentes na praça de São Pedro.

Entre os favoritos para o posto estão o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, o canadense Marc Ouellet, arcebispo de Québec e o brasileiro dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo --a maior arquidiocese do maior país católico do mundo.

PRIMEIRO DIA

A conclave começou na última terça-feira (12), quando os 115 cardeais fecharam as portas da Capela Sistina por volta das 17h30 no Vaticano (13h30 em Brasília). No local, os religiosos ficarão em clausura até definir o substituto do papa emérito Bento 16, que renunciou em 28 de fevereiro.

A cerimônia de entrada começou por volta das 16h15 (12h15 em Brasília) com uma oração inicial na Capela Paulina. No ritual, o cardeal Giovanni Battista Re, purpurado que presidiu o ato, lembrou aos colegas que eles estão no Vaticano para escolher o novo pontífice.

Em seguida, foi feita uma procissão, que atravessa a chamada Sala Régia para chegar à Capela Sistina, que fica ao lado da Paulina. Após o fim do cortejo, cada um se posicionou em seus lugares e, em seguida, tomou o juramento para participar da eleição.

O último passo foi o fechamento da capela, o chamado "extra omnis", quando os cardeais pedem a saída de todos os que não são cardeais. A partir deste momento, os religiosos ficarão reclusos para escolher o novo comandante da Igreja Católica.

 

No período, que pode durar dias, a única comunicação sobre as decisões tomadas no conclave é feita pela fumaça que sai da chaminé da capela.

A fumaça é produzida pelas queima das cédulas de votação. Se for da cor preta, não houve decisão sobre o novo pontífice. Caso seja de cor branca, os sinos da Basílica de São Pedro soarão, em sinal de que o papa foi escolhido.

Os últimos 15 conclaves levaram no mínimo dois dias, mas analistas especulam que a escolha do novo papa deva terminar em cinco dias. Em 2005, o cardeal Joseph Ratzinger foi escolhido como papa em três dias de votação.