O paraíso das religiões no inferno dos humanos

16/12/2013

Por: Flávio Rezende

         Estes dias dando uma olhadinha nos jornais vi uma foto que acendeu a luzinha que provoca pensamentos filosóficos. Era um alto representante do clero católico, totalmente paramentado, visitando uma governante que tinha obtido uma sobrevida administrativa em decorrência de uma decisão judicial.

         Pelo que observo no ibope cidadão a existência de tal governante é um dano ao desenvolvimento, e um atraso amparado em índices negativos diversos que acompanham sua gestão desde o início.

         Numa situação desta é recomendável discrição no apoio institucional, uma vez que a grande maioria da população achou bom o afastamento. A pessoa ir dar um abraço, em nome de uma amizade pessoal é uma coisa, mas a pessoa ir com a farda do exército por exemplo, com o crachá da empresa ou a vestimenta eclesiástica, caracteriza um apoio da instituição que representa, o que não é recomendável.

         Olhando a foto mais uma vez fiquei refletindo. As religiões ocupam uma posição muito confortável, diria até, paradisíaca, diante do inferno que vivemos. Explico melhor: se um religioso não apoia alguém que cai de uma posição superior, se não visita um preso qualquer e não abraça um criminoso barra pesada, ninguém reclama, afinal, as situações são de erro e a priori, nenhuma religião aceita as coisas erradas.

         Se por outro lado, algum religioso abraça um preso, se solidariza com um governante em desgraça ou fica ao lado de baderneiros diversos, a sociedade tende a compreender, afinal as religiões pregam o perdão, a fraternidade etc.

         Seguindo este raciocínio, os religiosos, pelo menos em tese, navegam neste mar de benevolência pública, não sendo recriminados em nenhuma situação e, até internamente, se perdoam quando são flagrados nos atos mais terríveis, como a pedofilia, por exemplo.

         Observando vários comportamentos religiosos em todos os tempos, percebemos com olhos de querer ver, que muitos seres de índole negativa, se abrigam nestes espaços, para que possam se mover em habeas corpus preventivos, realizando suas maldades no privado e acendendo velas em público.

         Nós, simples mortais, submetidos as leis comuns e aos dogmas religiosos, geralmente não somos bem julgados quando agimos dessa maneira muito pendular.

         Em nosso cotidiano somos sempre cobrados pelo famoso “ou é, ou não é”. Já os religiosos podem ser e podem não ser, podem abraçar ou podem condenar, podem beijar e podem apedrejar.

         Por enquanto, nesta sociedade presa a mentiras históricas, traduções interesseiras e equívocos consolidados, teremos que navegar nesta ambiguidade e, quem sabe um dia, possamos finalmente ter a luz do esclarecimento, a verdade verdadeira de como as coisas realmente são, dispensando muitos intermediários que, na verdade, tem menos condições intelectuais e morais que a média de todos nós.