Presença e presente

22/12/2014

Por: José Pinto Júnior
Foto: Divulgação

Alguém prometendo um presente para se livrar da presença. Tipo: “se não for possível te levar para a viagem, te trago um presente”. Ou ainda: “não deu para aparecer, mas trouxe uma lembrancinha”. Presente é bom, mas não substitui a presença quando esta é desejada.

O presente pode parecer lembrado como algo material para alguém que sentimos falta e não está presente. Logo, o presente é secundário, não deve substituir a presença. Quando se ama alguém, o fundamental é estar perto; presentear é secundário. Isso fica para datas especiais, pois os presentes são momentos.

A presença é o tempo todo, é a companhia, é estar juntos e respirar juntos. Acordar e dormir. Comer e chorar. Sorrir e sentir frio. Beber e sentir sede. Chorar e acordar. Viver e crescer juntos. Juntos!

O abrir-se da porta e o apertar dos braços. Encontros de corpos são sempre mais calorosos que o presente pelo Sedex. Mas às vezes não se precisa da presença. Só precisa do presente. Neste cenário, pode existir amor. Mas não há certeza.

Há o encontro do presente com espera. Com o encontro dos olhares, dos gestos, dos sorrisos e também do presente. Neste caso, o presente é uma lembrança agora superada. O presente era a distância que agora perdeu a importância. O registro do passado, diante do imaterial presente, será lembrado no passado, mas que é coadjuvante no agora.