“Se a análise for técnica e econômica, o hub será no RN”, garante Flávio Azevedo

04/02/2016

Por: Redação PN
Foto: Arquivo PN
A economia Brasileira vive uma situação difícil, um momento complicado. E o Rio Grande do Norte está inserido neste contexto. Quais os principais desafios que hoje a pasta do Desenvolvimento exige do senhor?
Os desafios do Rio Grande Norte são semelhantes ao do País, nós vivemos um momento delicadíssimo. Ao longo de meus 40 e poucos anos como empresário, nunca vi um momento como esse, onde se juntam uma crise financeira, uma crise política e uma crise moral. Há também uma crise de confiança, de credibilidade nas nossas lideranças, e isso tudo é muito grave, principalmente porque o reflexo prático disso na área empreendedora é que, quando não existe confiança, a tendência é puxar o freio de mão e parar. Parar investimentos significa produção industrial caindo. A desconfiança é tamanha que as empresas estão diminuindo o ritmo. Isso gera desemprego, que gera diminuição de impostos. Quando há desemprego, há ausência de consumo e tudo isso se transforma no enorme ciclo vicioso em prejuízo do equilíbrio socioeconômico do país.
 
Isso foi muito debatido no passado, no governo de Garibaldi, e até agora não andou.
Nós temos uma mineração, um setor mineral fortíssimo que não é explorado como deveria ser, que é o calcário, que gera cimento. O calcário tem vários subprodutos e o Rio Grande do Norte tem uma das maiores jazidas de calcário do Brasil localizado na região Oeste, e o nosso calcário é da melhor qualidade. Uma verdadeira cadeia produtiva.
 
Outro setor: nós somos o maior produtor de camarão em cativeiro do Brasil. Por uma série de problemas, nossa produção hoje é mínima, fomos ultrapassados pelo Ceará, por Alagoas, pela Bahia e nós temos condições de recuperar isso a partir de uma lei que foi aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa. Nós temos condições de, a partir do terminal pesqueiro que está aí abandonado, nós transformarmos o Rio Grande do Norte no maior polo atuneiro da América Latina. 
 
Já existem projetos nessa direção?
Estamos trabalhando nisso. Nós temos também uma oportunidade proporcionada pelos recursos vindos do Banco Mundial, que é o RN Sustentável, que tem dentro desse projeto um parque tecnológico previsto com recursos suficientes para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Em parceria com a universidade e com a indústria, através do SENAI e do CTGás e empresas de energias renováveis, o objetivo é transformar o Rio Grande do Norte num grande parque tecnológico com pesquisas aplicadas para desenvolver projetos compatíveis com o desenvolvimento da nossa economia, modernizar nossos sistemas, nossos processos e fazer inovações tecnológica para podermos ter competitividade.
 
Qual seria a solução?
Sem inovação tecnológica, a indústria não tem competitividade, que, aliás, é um dos grandes problemas do país. A ausência de competitividade acontece por falta de pesquisa que gere inovação tecnológica. Existem caminhos e, pela primeira vez, o estado tem recursos financeiros. Os recursos do Banco Mundial estão disponíveis, são mais de 400 milhões de reais para isso, para estudos e projetos. Nós temos que aproveitar essa chance.
 
O senhor está otimista em relação à instalação do hub da LATAM no Rio Grande do Norte?
Para você ser empresário, necessariamente você tem que ser otimista. Nenhum um pessimista será um empresário, ele morre antes disso, ele mata a empresa dele. Então eu sou um otimista, mas realista. Eu acho que o Rio Grande do Norte tem sim a maioria das condições técnicas para receber o hub da TAM. Temos uma única desvantagem: o fluxo econômico de Pernambuco e do Ceará são maiores que o nosso, isso é a única desvantagem que nós temos - facilmente compensáveis em função de outras vantagens que nós temos, como posição geográfica. Nós estamos mais perto da costa leste americana de que os nossos concorrentes; muito mais perto da Europa que os nossos concorrentes; mais perto da África; e temos um aeroporto privado cujo proprietário já tem um acordo com a TAM de um hub no Centro Oeste, que é em Brasília. Daqui que você privatize o aeroporto de Fortaleza e o aeroporto de Recife, isso vai demorar muito tempo e foge do time que a TAM quer dar a isso.

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