Matéria do PN e redes sociais unem paulistana à família após 32 anos

10/06/2016

Por: Rômulo Estranrley
Uma matéria biográfica, publicada neste Potiguar Notícias em setembro de 2012, faria a diferença, quase quatro anos depois, na vida da paulistana Lílian Paulino de Jesus Silva: o fim da busca por seus familiares potiguares.
 
Ela esteve em Macaíba no dia 17 de maio e retornou para sua terra natal no dia 28 do mesmo mês. Foram onze dias muito marcantes em sua vida, dedicados com carinho ao seu tio Francisco Paulino da Silva (Chichico), ex-jogador do Cruzeiro.
 
Lílian completou 33 anos no último dia 2 de junho. “Meu melhor presente de aniversário foi ter ganhado uma família!”, confessou.
 
Numa conversa, Lílian contou que uma parente comentou que não teria coragem de fazer o que ela fez para conhecer seu tio. “Eu estou aqui porque estar aqui é como se o meu pai estivesse aqui. O abraço que eu dei em meu tio Chichico, em minha tia e em você, é como se fosse o meu pai”, externou. 
 
O fim da união dos seus pais fez com que ela fosse criada pela avó materna desde quando tinha apenas um ano. Lílian é filha do macaibense Lúcio Paulino da Silva, falecido em 1999, em São Paulo. 
Além disso, ela nunca havia mantido contato com seus familiares em Macaíba, embora alimentasse o desejo de conhecer seu tio Chichico, até então tido como falecido pelos familiares paulistas, devido mais uma vez pelas dificuldades de comunicação dos anos 1970/1980.
 
Mas tudo começou a mudar em julho de 2015, quando Lílian visitou uma parente, Leda. No meio de uma conversa, a prima mencionou que todos da família já haviam falecido e só restavam as duas. Meses depois, no início de fevereiro de 2016, as duas se perguntaram se não havia mais alguém vivo na família, pois ficaram sabendo da existência de Sérgio, filho de Chichico, que mora em Macaíba. Ao pesquisar no Google, Leda digitou o endereço de Chichico. “Só que aqui (na Rua General Aluízio Moura – Macaíba), há 40 anos, era tudo diferente. Na hora que eu mostrei a casa, pelo Maps, aí ela falou: ‘não, não é essa casa! Minha mãe não morava nessa casa, não!’”, teria dito Leda para Lílian. 
 
A prima perguntou qual o nome completo do tio e digitou no Google. Então, várias matérias apareceram, talvez por muitas pessoas terem o mesmo nome de Francisco Paulino da Silva. Foi quando acrescentaram “Macaíba RN”, e acessaram a matéria biográfica “Chichico: um nome do futebol e do carnaval macaibense”, escrita por este repórter e publicada no PN.
 
Lílian mostrou a foto de Chichico para Leda, mas esta ficou na dúvida se era realmente seu tio. Ao ler a matéria, Lílian chorou, mesmo a prima ainda duvidando de que se tratava de seu tio. “Quando eu vi a data – 2012 –, aí eu disse: ‘Ah, realmente ele morreu... Essa reportagem foi uma homenagem para ele’”.
 
Ela fez uma busca no Facebook, com o nome deste repórter, e percebeu que o redator era de Macaíba. “Tem que ser esse. Só pode ser esse!”, disse, empolgada.
 
E enviou a mensagem para mim, embora acreditasse que eu nunca daria uma resposta. No dia seguinte, , Lílian  teve uma surpresa: “Meu celular vibrou e quando eu olhei era você. Eu fiquei desesperada para ler o que escreveu”, revelou, acrescentando que saiu da sala para visualizar a mensagem.
 
A princípio, não pude dar as informações para Lílian, porque trabalhava e estudava em Natal nos últimos oito anos. Ou seja, estava desinformado sobre a cidade. Mas fui procurar Chichico. E, quando o vi, perguntei se ele conhecia Lílian Paulino, que entrara em contato, se identificando como sendo filha de Lúcio, seu irmão falecido. 
 
Ao confessar que sabia que tinha uma sobrinha filha de Lúcio, mas que não a conhecia, Chichico forneceu endereço e telefone.  Ansiosa, neste dia Lílian não foi para a faculdade, indo para casa. Às 17h35, recebeu o endereço e telefone do tio. Chorou bastante.
 
Em seguida, ligou para a prima Leda para comunicar a notícia. Quando conseguiu manter contato com seu tio Chichico no mesmo dia, este lhe perguntou: “Será que um dia eu vou lhe conhecer?”. 
- Esse “será” tem que ser agora! Eu não posso esperar mais! Já esperei 32 anos – disse Lílian, falando que  explicou a situação ao seu chefe e programou suas férias antecipadamente. 
 
Após o contato com seus familiares macaibenses, Lílian teve outra grata surpresa: descobriu que, além de Chichico, havia também sua tia Cacilda Paulino, que mora em João Pessoa/PB.