Mata dos Saguis da UFRN promove conhecimento científico e ambiental à população

04/07/2018

Por: Lucas Melo
Foto: La.Na.Mata dos Saguis é um dos projetos que acontece na reserva ANÁSTACIA VAZ

Entre construções administrativas e salas de aula, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) comporta também áreas verdes em seu território, isto é, locais onde a natureza é predominante e que não foi substituída pela cor cinza típica do concreto dos prédios. Próximo ao Centro de Biociências (CB) da Universidade, um espaço de aproximadamente 15.000m² chama atenção pela diversidade de sua flora e fauna e, também, pela importância acadêmica que apresenta. É a Mata dos Saguis, um laboratório natural que concentra atividades ligadas a ensino, pesquisa e extensão.

O local é considerado o último fragmento de Mata Atlântica com fitofisionomia de restinga da UFRN e, também, é o lar de aproximadamente 61 espécies de plantas (algumas exóticas), 21 espécies de aves e 14 de aracnídeos, além dos macaquinhos chamados de saguis que, pela abundância na área, dão nome à mata. Este cenário, que ao longo dos últimos anos tem sido usado para promover o conhecimento ambiental da comunidade interna e externa da UFRN, já passou por problemas de conservação e foi acometido, inclusive por incêndios em diferentes épocas, o último em 2011. Isso destruiu parte da área verde e o que se vê hoje no local é uma vegetação que vem sendo regenerada com ajuda de professores e estudantes.

Atualmente bem estruturada, a Mata dos Saguis serve como espaço para realização de diferentes projetos, como a Trilha dos Saguis, por exemplo, que recebe periodicamente a visita de pessoas interessadas em conhecer o local e saber mais sobre a educação ambiental como um todo. Mas para a constituição da mata enquanto um espaço de aprendizado, como se apresenta hoje, foi fundamental a iniciativa de pessoas preocupadas com a importância do local. As professoras Adriana Rosa Carvalho, do Departamento de Ecologia, e Rosângela Gondim D’Oliveira, do Departamento de Botânica e Zoologia, são as principais responsáveis pela revitalização e reestruturação do local.

Cícero Oliveira

Durante o ano de 2017, a mata recebeu quase 100 visitas guiadas


A montagem da Trilha dos Saguis, o plantio de mudas, o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, a identificação das espécies animais e vegetais e o cercamento da mata foram algumas das ações promovidas nos últimos anos com auxílio de estudantes de graduação e pós-graduação, vinculados ao CB e da própria diretoria do Centro de Biociências, que é o responsável institucional pela reserva. “A mata funciona como um laboratório natural e é um espaço hoje indispensável para atividades de pesquisa, ensino e extensão, para a comunidade acadêmica e para ações direcionadas à comunidade externa à UFRN”, esclarece a professora Adriana.

Ela conta que os seus esforços para reestruturar a mata começaram em 2010, quando chegou à UFRN. Junto com a professora Rosângela Gondim, ela pensou em ideias de revitalização e aproveitou a iniciativa de um projeto que existia na época, no qual alguns estudantes do CB estavam empenhados na melhoria do local. “A partir daquele momento, somamos ao projeto a estruturação da mata como um todo e da trilha para receber visitas monitoradas pelos alunos com fundamentação teórica”, explica. Nesse contexto, novos projetos e abordagens científico-acadêmicas passaram a ser possíveis.

Contribuições acadêmicas

Como citado acima, a Mata dos Saguis possui uma diversidade considerável de espécies animais e vegetais. Isso garante grande potencial de exploração científica, sobretudo, no que se refere aos cursos ligados a estudos do meio ambiente, como Ecologia e Ciências Biológicas, por exemplo. Por essas características o local é considerado um verdadeiro laboratório natural.

Cerca de 20 professores ligados ao Centro de Biociências usam a mata regularmente para promover atividades práticas em disciplinas obrigatórias e optativas dos cursos de Ecologia e Ciências Biológicas. Também com certa periodicidade, trabalhos de conclusão de cursos de estudantes dessas áreas são realizados na mata, ou subsidiados por ela (por meio da coleta de material biológico ou de experimentação no local). Além disso, diferentes pesquisas são desenvolvidas lá, tanto por professores como por estudantes. A professora Adriana comenta que os próprios alunos “reconhecem a área como um patrimônio natural importante da UFRN e como um local que propicia um aporte à formação profissional de cada um”.

Anastácia Vaz
Mata dos Saguis tem grande diversidade de espécies animais e vegetais

Extensão

Dentro da mata também é promovido o projeto de extensão La.Na.Mata dos Saguis, que propicia para o público externo da Universidade uma visita guiada pela Trilha dos Saguis. Os visitantes têm a oportunidade de conhecer a trilha, com 250 metros de comprimento, ao mesmo tempo em que aprendem sobre o meio ambiente. Os monitores do projeto, graduandos em Ecologia, comandam as visitas e promovem uma verdadeira aula abordando questões ecológicas, fazendo apontamentos sobre as particularidades da mata e, também, tirando dúvidas dos participantes.

Esse projeto teve início no ano passado e é coordenado pela própria professora Adriana Carvalho, e tem a coordenação adjunta do mestrando em Ecologia, Paulo Ivo Medeiros, que explica melhor a ideia do La.Na.Mata: “Os principais objetivos são revitalizar o ambiente, algo que a gente faz continuamente, e restaurá-lo, através do plantio de mudas, além de desenvolver a questão da educação científico-ambiental”. Ele, que está envolvido com o local desde quando era graduando em Ecologia, também destaca a divulgação científica, que é promovida pelo projeto por meio da realização de concursos de desenhos e de fotografias.

Para conhecer

No último ano, o projeto La.Na.Mata dos Saguis promoveu 97 visitas guiadas pela Trilha. Os interessados em conhecer o local e fazer a visita guiada devem enviar uma mensagem solicitando o agendamento para o e-mail florestinha.ufrn@gmail.com. Para conhecer melhor sobre o projeto ou sobre o local, também é possível acessar o site oficial da mata ou a página no Facebook.