Episódio pitoresco vivido em Parnamirim

05/02/2019

Por: Geraldo Pinto
 
Neste 2019 pela terceira vez volto a morar na cidade do extinto Paranã-Mirim (seria esse o agonizante rio Pitimbu, outrora um volumoso rio dos potiguaras?), são muitas estórias, histórias e até História (os embarques e desembarques de LULA). A primeira moradia foi em 1997 na Rua Fernando Dantas Ribeiro- Vale do Sol, a segunda em 2001 no condomínio residencial Parque do Flamengo, em Nova Parnamirim e agora novamente em Nova Parnamirim, gosto muito da cidade.
 
Houveram episódios da política, encontros, birinaites, e sem esquecer que o Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE) e a ATGEP (Associação dos Técnicos em Petróleo), clubes que frequento, são no município. Fui a lançamentos de livros, encontro de quadrilhas juninas, participei do sindicato e da cooperativa dos transportes alternativos, com Tita Holanda e Raimundo Holanda,até dirigi minha Kombi e uma Van na época áurea do transporte alternativo na cidade, quando possuí uma concessão.
 
Mas um episódio pitoresco que me marcou se deu em 1998, na casa do Vale do Sol, que adquiri do colega de trabalho na Petrobrás, Epifânio Lima, então vice-prefeito da cidade. Era uma casa muito espaçosa, com 3 grandes quartos, uma sala gigantesca e um imenso terreno que dava mais de 500 m². Porém não tinha quase vizinhança, era a última casa da rua e no terreno atrás haviam muitas árvores, em especial mangueiras e goiabeiras. Como morava eu, a esposa e minha filha Ana Paula, então com um ano, trabalhávamos em Natal, a casa exigia que tivéssemos uma pessoa para tomar conta, assim contratamos Dona Neide, por indicação de um amigo, que era de uma localidade de ELMARI (mais tarde descobri que se referia a IELMO MARINHO,município vizinho a Macaíba). Dona Neide era dedicada e cuidadosa, zelava pelos móveis e objetos e gostava de pitar um cigarrinho de fumo de rolo que sempre comprava quando ia à Macaíba. Era viúva e parecia estar feliz com o emprego e a vida conosco.
 
Um dia porém, ao entardecer e tragando sua porronca, Dona Neide deu um grito de susto que se fez ouvir por todo o Vale do Sol e até pelos sapos da Lagoa que margeia a BR-101, que naquela época era viva e tinha peixes e outros seres vivos.
 
Imediatamente corri com meus 160 kg para o quintal e vi Neide morena estarrecida e branca de pálida.
 
-O que se passou Neide?
 
- Vi 6 ratos do tamanho dos cachorros caminhando por cima do muro! exclamou com os olhos arregalados.
 
Ratos do tamanho de cachorro? pensei maldando de Neide: " Será que tem algo mais nesse fumo de rolo?"
 
Mais tarde fui tomar água na cozinha e encontrei a resposta, era uma família de timbus que passava para comer mangas e goiabas do sítio que ficava atrás da casa. 
Ao amanhecer, café da manhã posto, Neide estava com todas suas coisas arrumadas.
 
- O que é isso Neide? indagou a patroa
 
- Não fico mais nenhum minuto aqui nessa casa, esses ratos vão comer a gente.
 
- Neide não são ratos mulher, são timbus. Disse eu, e prossegui. Eles são marsupiais, como o canguru e guardam os filhotes numa bolsa na barriga.
 
A viúva refletiu e sentenciou:
 
- Piau ou não piau, não fico mais aqui seu Geraldo, por favor me leva para ELMARI ou me deixe ao menos na feira de Macaíba.
 
E eu não sabia se ria ou se ficava preocupado por ter que arrumar outra secretária. 
 
 
 
Geraldo Pinto