O saudosismo colonial da elite branca e racista brasileira

10/02/2019

Por: Felipe Nunes
 
O episódio racista envolvendo a diretora da revista Vogue, a socialite Donata Meirelles é mais um triste retrato do saudosismo sádico da elite branca brasileira com a escravidão. Nas fotos do seu luxuoso aniversário, posa sorridente em seu “trono de Sinhá”. A elite branca brasileira nunca aceitou o fim da servidão e a liberdade do povo negro, sempre fazem questão de recordar e mostrar a sua posição de dominação sobre nosso povo. Mais um episódio abominável de racismo sórdido. Apenas um pedido hipócrita de desculpas pelas redes sociais não diminui a violência física e simbólica daquele ato.
 
A elite branca brasileira não cansa de demonstrar que não abandonou sua mentalidade colonial. Digam-me qual a explicação de uma Festa com tema Brasil Colônia? Por que recordar o Brasil Colônia de modo festivo? Na verdade, essa atitude faz parte de uma operação de produção seletiva da memória social produzida pela elite branca racista para lembrar os tempos da escravidão como se fossem tempos dóceis e felizes, omitindo todos os horrores grotescos produzidos sobre os corpos negros. Tal como Gilberto Freyre em sua obra clássica “Casa Grande e Senzala”, estão sempre ávidos em perpetuar o que os brasileiros devem lembrar e o que deve ser esquecido sobre esse vergonhoso episódio da nossa história.
 
Caetano Veloso ao tocar na festa acaba por compactuar com esse triste e bizarro episódio de racismo. De nada adianta compor, cantar e exaltar a cultura negra, e em seguida se dispor a cantar em festa com temática racista.
 
Como bem frisou a escritora Djamila Ribeiro em comentário sobre o caso, “Quem é antirracista deve se posicionar!”. O silêncio é o alimento para a continuidade dessa estrutura social racista em nosso país. Como sempre lembrava Abdias Nascimento, o racismo continua vivo nas entranhas da nossa sociedade, e se fosse possível, a elite branca racista o traria de volta.
 
Lamento informar aos racistas de plantão que nosso povo não sente saudade nenhuma do Brasil Colônia. Não voltaremos à senzala nunca mais! O futuro nos pertence e vamos estar atentos para lembrar que a escravidão não é alegórica e nem motivo para se festejar.