Atriz potiguar Badu Morais em musical ´As Cangaceiras`, que estreia em São Paulo

20/04/2019

Por: Cefas Carvalho
Foto: Imagens: Marcello Boffat/ Priscila Prade
 
A atriz e cantora natalense mas que mora em Parnamirim desde a infância, Badu Morais é uma das atrizes que faz parte do elenco do espetáculo musical "As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão", que  estreia na quinta-feira, 25 de abril, no Teatro do Sesi, no prédio do Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo e ficará em cena até 4 de agosto, sempre às quintas, sextas, sábados e domingos. A peça musical tem  texto e letras de Newton Moreno, direção de Sérgio Módena e direção musical de Fernanda Maia, e é livremente inspirado em depoimentos de mulheres envolvidas no Cangaço e exalta a força feminina, contando a história de um grupo de mulheres que se rebelam contra mecanismos de opressão que encontravam dentro do próprio Cangaço, e encontram, umas nas outras, a força para seguir. Os ingressos são gratuitos.
 
Uma das personagens da trama é justamente a parnamirinense Badu Morais, que interpreta uma rezeira, que reza o personagem Taturano  (o também potiguar Marco França) para o grande duelo pelo trono do sertão. Badu é conhecida do público potiguar por participações como atriz e cantora em diversos show e espetáculos. Nascida Jessyca Fernandes de Morais, ganhou o nome artístico em homenagem à cantora americana Erykah Badu e participou de trabalhos como "Auto de Natal de 2006 (dirigido por Lenicio Queiroga), a "Festa do menino Deus" (dirigido por João Marcelino) e diversas edições do "Presente de Natal", de Diana Fontes, incluindo a de 2018, além dos musicais "Beco da alma" (dirigido por João Marcelino) e "Eu e meus malandros" (direção de Doc Câmara), entre outros.
 
Em entrevista à Redação do PN, Badu relatou como se deu a inclusão no espetáculo. "Em novembro de 2018, recebi a ligação do amigo e ator potiguar Marco França que disse: Badu, tem um projeto que é a sua cara, com audições abertas aqui em São Paulo, eu sei que você tem sua vida toda aí em Parnamirim, mas, acredito que você deveria participar! Então, desliguei o telefone com uma sensação de ter ouvido um presságio. Logo corri e me articulei para fazer parte das audições, que por sinal, foram muito bem organizadas pela Giselle Lima e sua parceira Beatriz Lucci. Foi um processo leve, divertido, e com muita gente boa. Por fim, em dezembro recebi a tão esperada ligação que eu fora aprovada", lembra.
 
"Daí por diante vieram milhares de ações mobilizadoras para a necessária mudança: venda de móveis, carro, desmontar a casa... Um processo bonito e também doloroso, cada artista nesse país e principalmente no Rio Grande do Norte, sabe a dor e a delícia de ser, não é mesmo? A maioria dos nossos equipamentos culturais fechados, pouquíssimo investimento,é com muito custo que conseguimos sobreviver de arte no estado e construir bens materiais, ou seja estava me desfazendo de tudo o que conquistei com muito suor e dedicação em treze anos de trabalho, mas com muita alegria por esperar bons ventos", assinala.
 
SÃO PAULO
 
Sobre a morada na maior cidade do país, Badu afirma "que estar em São Paulo é uma experiência enorme na qualidade de artista e sobretudo, como ser humano. É concreto, correria, arte, alegria, dor, movimento e gente por toda parte. Ainda não me sinto da cidade, por vezes uma estranha no ninho, mas é natural, mudei tão pouco na vida e sempre estive perto da família, então, ainda estou me adaptando a isso, ao clima, a quantidade de teatros e eventos, ainda não consigo acompanhar o ritmo dessa cidade, (risos)  
 
Perguntada sobre qual a importância da temática do espetáculo, ela registra que "possamos refletir juntos sobre a voz feminina que precisa ser ouvida, sobre que padrões sociais estamos repetindo, que possamos dar esse grito de liberdade, de sermos unidos como povo, pra superar essa maré  terrível que  afoga nosso país. Eu espero que o público saia diferente de como entrou  no teatro, saia com vontade de lutar por um amanhã melhor";
 
O ESPETÁCULO
 
Com Amanda Acosta, Marco França, Vera Zimmermann, Carol Badra, Luciana Lyra, Rebeca Jamir, Jessé Scarpellini, Marcelo Boffat, Milton Filho, Pedro Arrais, Carol Costa, Badu Morais, Eduardo Leão  no elenco, As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão é uma fábula inspirada nas mulheres que seguiam os bandos nordestinos, que atuavam contra a desigualdade social da região.  
 
As canções originais foram compostas por Fernanda Maia (música) e Newton Moreno (letras), inspirados em ritmos da cultura nordestina. “Nas canções usei várias referências da música nordestina e tive uma abordagem afetiva desse material, por ser filha de paraibano e por ter morado no Nordeste enquanto fazia faculdade de música. Nessa época, pude entrar mais em contato com a cultura do Nordeste, que é de uma riqueza ímpar, cheia de personalidade, identidade, poesia e, ao mesmo tempo, muito paradoxal.
 
Além dos atores cantarem em cena, o espetáculo traz cinco músicos para completar a parte musical (baixo, violão, guitarra, violoncelo e acordeão). Texto e música se misturam, palavra e canto se complementam, como se tudo fosse uma única linha dramatúrgica. “Optamos por uma narrativa que realmente seja uma continuação da cena e não um momento musical que pare para celebrar, ou para criar umas aspas dentro da história. Isso só é possível com canções compostas para o espetáculo. Buscamos um DNA totalmente brasileiro para a peça, tanto na embocadura, na fala, na construção do texto, como na interpretação dos atores. 
 
O produtor Rodrigo Velonni, o diretor Sérgio Módena e o dramaturgo Newton Moreno queriam fazer uma parceria no teatro há tempos. Em 2018, o produtor Rodrigo Velloni sugeriu que colocassem um projeto no edital do Sesi-SP, juntos decidiram falar do feminino dentro do Cangaço. Assim nasceu o espetáculo.
 
O enredo começa quando Serena (personagem de Amanda Acosta) descobre que seu filho, que ela acreditava ter sido morto a mando do marido, Taturano (personagem de Marco França), está vivo. Ela, então, larga seu grupo do Cangaço, chefiado por Taturano, para partir em busca de seu bebê. Neste momento ela não tem a dimensão de que sua luta para encontrar o filho se tornará uma luta coletiva, maior que seu problema pessoal. Outras mulheres que formavam o bando se engajam nessa batalha, além de futuras companheiras que cruzam seu caminho.
 
Elenco: Amanda Acosta, Marco França, Vera Zimmermann, Carol Badra, Luciana Lyra, Rebeca Jamir, Jessé Scarpellini, Marcelo Boffat, Milton Filho, Pedro Arrais, Carol Costa, Badu Morais, Eduardo Leão. Músicos: Pedro Macedo (contrabaixo), Clara Bastos (contrabaixo), Daniel  Warschauer (acordeon), Dicinho Areias (acordeon), leandro Nonato (violão), Abner Paul (bateria), Pedro Henning (bateria),  Roberta Regina (violoncelo), Felipe Parisi (violoncelo) | Dramaturgia: Newton Moreno | Direção: Sergio Módena | Produção: Rodrigo Velloni | Direção Musical: Fernanda Maia | Canções Originais de Fernanda Maia e Newton Moreno | Coreografia: Erica Rodrigues | Figurino: Fabio Namatame | Cenário: Marcio Medina | Iluminação: Domingos Quintiliano | Assistente de Dramaturgia: Almir Martines | Diretora Assistente: Lorena Morais | Pianista Ensaiador e Assistente de Direção Musical: Rafa Miranda | Designer Gráfico e Ilustrações: Ricardo Cammarota | Fotografia: Priscila Prade | Produção Executiva: Swan Prado e Luana Fioli | Assistente de Produção: Adriana Souza e Bruno Gonçalves | Gestão Financeira: Vanessa Velloni | Administração: Velloni Produções Artísticas | Realização: SESI-SP
 
SERVIÇO
 
As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão
Temporada: de 25 de abril a 4 de agosto
Horários: quinta a sábado às 20h; domingo, às 19h
Local: Teatro do Sesi-SP – av. Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)
Duração do espetáculo: 120 minutos
Classificação indicativa: 12 anos 
Agendamentos: ccfagendamentos@sesisp.org.br
Grátis. Reservas antecipadas de ingressos pelo site www.centroculturalfiesp.com.br  abertas todas as segundas-feiras, às 8h. Ingressos remanescentes serão distribuídos no dia da apresentação, 15 minutos antes na bilheteria do Teatro.