“Efeito Peixoto” pode tornar muito possível vitória de Rosalba em 2020

23/04/2019

Por: Carlos Santos
Foto: Apesar de desgaste, como Rosalba, Peixoto foi reeleito graças a fracionamento e soberba da oposição (Fotomontagem BCS)
 
Em 2012, candidato à reeleição à Prefeitura Municipal do Ceará-Mirim (região da Grande Natal), o delegado da Polícia Civil Antônio Peixoto(PR) conseguiu uma vitória vista como surpreendente por muita gente acostumada à análise política. Porém uma avaliação mais acurada  do quadro sucessório, logo ensejaria ilação de que seria plenamente possível sua vitória.
 
Apesar de muito mal avaliado politico-administrativamente, Peixoto obteve a reeleição principalmente pelo fracionamento da oposição, quando quatro candidatos consideravam “favas contadas” a vitória pessoal sobre o prefeito, devido sua encorpada rejeição. Com apenas 31,96% dos votos, o delegado levou a melhor sobre a ex-prefeita Edinólia Melo (MDB), com 30,13%; Júlio César Câmara (PSD), com 23,52%; Doutor Marcílio (PP) tendo empalmado 13,29%, além de  Dedé Luz (PSL) que juntou 1,1% dos votos válidos.
 
Essa situação do delegado Antônio Peixoto poderá se reproduzir em Mossoró no próximo ano, quando a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) será candidata à reeleição. Ela vive um dos piores momentos de sua história política, só superada por sua desastrosa passagem pelo governo estadual (2011-2014), quando reprovação popular a tornou a governante com pior julgamento da opinião pública do Brasil à ocasião, dezembro de 2013, segundo o Ibope (veja AQUI).
 
Em pesquisa divulgada à semana passada pelo Blog do Barreto, realizada pelo Instituto Seta do Natal Rosalba apareceu com reprovação administrativa de 48,5% e aprovação de 33,8% (veja AQUI).
 
Na corrida pré-eleitoral, há outra preocupação para ela e seu grupo encastelados no Palácio da Resistência: pelo menos três a quatro nomes na oposição apareceram com vigor instantâneo à disputa (veja AQUI). Somados, ultrapassam com folga suas intenções de votos.
 
Segundo turno
 
Em duas simulações, Rosalba pontuou em primeiro lugar com apenas 24,8% e 26%. Já o novato deputado estadual Allyson Bezerra (Solidariedade) cravou segunda posição com 17,5% e 18,3%.
 
Atrás deles surgiram Jorge do Rosário (PR) com 12,8% numa estimulada e Tião Couto (PR) noutra, com 16,5%.
 
A deputada estadual estreante Isolda Dantas (PT) totalizou 10,8% e 11,3%, respectivamente, nas duas avaliações, ficando em quarto lugar no geral.
 
Na Estimulada com Rosalba, Allyson, Jorge e Isolda, por exemplo, a soma dos três oposicionista chega a 41,1% contra 24,8% da atual prefeita, uma maioria percentual de 16,3% sobre a governante.
 
Na outra Estimulada com Rosalba, Allyson, Tião e Isolda, esse trio da oposição cumulativamente chega a 46,1%, enquanto que a prefeita esbarra em 26%. Maioria da oposição de 20,1%.
 
Como Mossoró não tem segundo turno (só possível em municípios com eleitorado a partir de 200 mil pessoas), a projeção de pelo menos duas ou três chapas “competitivas” no bloco oposicionista, certamente será um alívio para Rosalba. Com a estrutura da municipalidade e sua conhecida obstinação em campanha, a prefeita pode tornar possível a difícil reeleição.
 
Por isso que sua pré-campanha começou em duas frentes: trabalha a cizânia e a desconstrução de imagem de potenciais adversários na oposição (principalmente com uso do rádio e redes sociais) e procura vender imagem de vigor e superação de seu governo. O jogo é bruto.