Pecuária leiteira potiguar abre oportunidades para produtores inovarem

09/08/2019


Foto: Marco Polo
 
A tecnologia e a inovação podem ser grandes aliados dos produtores de leites e derivados do Brasil. Esse foi tema central da palestra “Leite: tendências e inovações”, do professor e pesquisador Adriano Henrique Rangel, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no XV Encontro Nordestino de Leite e Derivados – ENEL. O evento aconteceu até o final da tarde desta quarta-feira (7), no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. A realização é do Sebrae do Rio Grande do Norte, Governo do Estado, Associação Norte-rio-grandense de Criadores (Anorc) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado, através do Senar-RN.
 
Segundo Adriano Rangel, há muitas oportunidades na cadeia produtiva do leite, dentre elas o leite não alergênico, muito requisitado e procurado no mercado, o leite noturno e o colostro bovino. “Eu abordei a inovação na cadeia produtiva do leite, mostrando a diversificação de produtos que podemos ter ao sair da rotina de produção do leite”, exemplifica o professor.
 
Rico em melatonina, o leite noturno propicia uma maior sensação de relaxamento para o consumidor, principalmente para aquelas pessoas que produzem melatonina em uma quantidade menor. “No mercado global ele já é muito utilizado por pessoas com idade acima de 50 anos. Por se um leite extraído de vacas ordenhadas na madrugada, principalmente entre 2h e 4h da manhã, o leite noturno possui maior concentração de melatonina, substância ligada às funções que regulam o sono”, ensina Rangel.
 
Outro destaque é o colostro bovino, o primeiro leite produzido pela fêmea depois de dar cria e que muitas vezes é descartado. “É mais uma oportunidade de negócios para o setor leiteiro, já muito utilizado em outras localidades, como por exemplo, na Ásia Central, Estados Unidos e Europa”, diz. O professor esclareceu que tanto o colostro como a melatonina exigem um trabalho mais aprofundado de pesquisa. “Naturalmente eles exigem mais pesquisa, mas as universidades estão prontas para colaborar nesse sentido”, completa. 
 
Para o professor e pesquisador, ainda falta iniciativa, desde a pesquisa, passando pelo produtor, até chegar na indústria, para o crescimento de oportunidades no setor. “Tem que ter inciativa e vontade de fazer acontecer”, disse.  Adriano Rangel destacou a necessidade de inovar e apresentou uma gama de produtos de uma indústria de leites orgânicos nos Estados Unidos. O nível de diversificação ainda é muito limitado, segundo ele. Obviamente houve uma evolução, principalmente nos últimos 10 anos, mas ainda podemos avançar muito mais, conclui o pesquisador.