Cefas Carvalho

27/11/2019
 
Na França, sem celular para estudantes; No Brasil, quer que se filme professores...
 
 
Leio matéria no El País com a seguinte manchete: "Sem celular até os 15 anos: França quer lei para proibir telefone nas escolas". A lei é promessa de Macron, e segundo a reportagem, muito bem feita, segue o princípio de que sala de aula é “uma pequena república, onde se aprende a escutar, a entender um ao outro"
 
Na reportagem, lemos que a Assembleia Nacional adotou uma emenda para proibir nas salas de aula, no pátio e nas atividades extracurriculares o uso de telefones celulares a partir do próximo ano letivo de 2020. A proibição se aplica às escolas do nível fundamental (primário e intermediário), até os 15 anos. Deixa margem a cada estabelecimento para regular a aplicação da norma: onde guardar os telefones (em um armário ou na carteira escolar) ou como punir os que desobedecerem. E permite exceções para o uso pedagógico dos aparelhos.
 
Estima-se que um total de 93% dos menores entre 12 e 17 anos na França tem telefone celular. Os legisladores alegam que os celulares favorecem o assédio na Internet e expõem os alunos a imagens de violência e pornografia, além de reduzirem a concentração. O problema, acrescentam, não é apenas sua presença nas classes, mas no pátio, onde “pode se tornar nefasto ao reduzir a atividade física e limitar as interações sociais entre os alunos”.
 
A iniciativa, embora polêmica, é louvável.
 
No Brasil, a relação entre estudantes e celulares não é das mais saudáveis.
 
Em escolas particulares de elite, os alunos usam os celulares à revelia das regras da ecsolas e das recomendaçõs dos professores. Não raramente gravam aulas que os desagradam, uma maneira de expor o professor.
 
E nas escolas públicas tenta se aplicar o absurdo e famigerado "Escola sem partido", deformação que pede uma neutralidade impossível e tendenciosa dos professores, feriando a autonomia acadêmica. 
 
E o (des)governo Bolsonaro ainda estimula a filmagem de professores por alunos se os primeiros estiveram fazendo "doutrinação", seja lá o que significar isso.
 
Os tempos são sombrios. E os exemplos vindos de fora mostram o quando estamos em recuo civilizatório. Uma pena.