Cefas Carvalho

25/12/2019
 
Extrema Direita brasileira criou  um Jesus à sua imagem e semelhança
 
O exemplo já foi amplamente citado nas redes sociais nestes dias, mas, vou repeti-lo aqui: o casal de refugiados, com necessidades econômicas e sem qualquer estrutura, tem um filho em um local sujo e escuro, sem qualquer acompanhamento ou ajuda do Estado, muito pelo contrário. 
 
Sim, isso acontece todos os dias com refugiados de países da África e do Oriente Médio. Mas, também é descrição exata do nascimento de Jesus, celebrado hoje pelos cristãos, sejam católicos ou evangélicos. Como está escrito na Bíblia, o filho de Deus nasceu em um estábulo em meio a uma cansativa jornada. 
 
Também já foi amplamente repassado pelas redes que toda a pregação de Jesus ao longo dos três anos de atuação se pautou pela tolerância, amor ao próximo e perdão. Inclusive, sempre se cercando de pessoas simples, pecadores em geral, mulheres. Nos evangelhos não vemos um só registro de Jesus segregando alguém por gênero, classe social ou comportamento. Alias, as críticas dele são justamente contra os ricos que entrarão no céu com mais dificuldade do que um camelo entra em um buraco de agulha, nas palavras dele próprio.
 
Dito isso tudo, percebemos que para boa parte dos cristãos as palavras do próprio Cristo não valem mais que o peru da ceia de Natal ou a roupa nova comprada para impressionar a família. 
 
Contudo, a Extrema Direita brasileira foi além nessa empreitada de esquecer os ensinamentos de Jesus; associou-o ao preconceito explícito e ao uso de violência. Sem meios termos, sem verniz. Tudo ás claras e decidamente publicizado, como as fotos de evangélicos em igrejas fazendo sinal de arminha com os dedos. 
 
Temos um presidente e filhos que se arvoram em crer em Jesus e na prática fazem tudo ao contrário que ele pregou. Mais que isso, desprezam e combatem tudo que Jesus foi e representa; refugiados, pobres, tolerância.
 
O presidente autoproclamado cristão celebra a tortura e o torturador Ustra (aquele que enfiava ratos em vaginas de mulheres) esquecendo que Jesus foi torturado antes de crucificado e morto. 
 
A Extrema Direita brasileira criou um Jesus à sua maneira, à sua imagem e tolerância: elitista, intolerante, machista e violento. Uma pena.
 
No dia de Natal, que se celebre o aniversariante da data em sua ensinamentos, não apenas como pretexto para uma política conservadora e de intolerância.