Ana Paula Campos

30/12/2019
 
A FALSA BENEVOLÊNCIA NATALINA
 
 
Impressionante como no natal as pessoas são acometidas por uma “bondade natalina repentina”. Cartinhas para Papai Noel são adotadas, brinquedos e cestas básicas são distribuídos e ao menos em uma noite, a benevolência toma conta dos corações. 
 
Engraçado porque são justamente essas pessoas, em sua maioria, que acusam fortemente o governo do PT de praticar uma política assistencialista. Programas como o Bolsa Família e cotas para negros, indígenas e quilombolas são consideradas “esmola para o povo” e segundo eles, “pode deixá-los mal-acostumados”. Mas então o que fazem essas pessoas durante o resto do ano na luta contra a desigualdade social? Votam num governo neoliberal e fascista. 
 
O atual presidente deixou muito claro, ainda no período de campanha eleitoral, que uma de suas primeiras providências seria acabar com o programa do Bolsa Família. Em poucos meses de governo extinguiu boa parte dos direitos trabalhistas, diminuindo com isso a qualidade de vida do povo brasileiro.  Penalizou deficientes, aposentados, pobres (e aqui incluo o pobre de direita que acha que é rico), cortou verbas para a educação decretando um futuro sem oportunidades para os jovens desse país e ainda vem promovendo o assassinato do povo negro e indígena. 
 
Estas pessoas “benevolentes” assistem diariamente e passivamente   à morte de crianças e jovens da periferia, não se indignam com o crescente número de ataques aos terreiros, são completamente contra a reforma agrária, não se revoltam com a morte de um idoso quilombola que foi morto covardemente à machadadas e não se abalam com o suicídio de jovens homossexuais, afinal, “é melhor ter um filho morto do que pecador”, disse uma mãe benevolente e cristã. O mundo está cheio de Jesus e Marias separados por fronteiras, mas a dor dessas pessoas não gera comoção. O ódio, a intolerância religiosa, o racismo e o preconceito imperam o ano todo, mas no natal...
 
Pois é meu bem, vocês foram e são coniventes com tudo isso. Cúmplices, eu diria! Então, sejamos honestos. Fazer doações em períodos específicos do ano e não se unir à luta da população marginalizada por igualdade de direitos e oportunidades, não se chama “bondade”. O nome disso é HIPOCRISIA! Se fazer isso alivia a sua consciência, que seja, mas lembre-se: estas ações isoladas não tiram a sua responsabilidade diante da dívida social e histórica com pretos, indígenas, quilombolas, homossexuais, deficientes...