Renisse Ordine

06/02/2020
 
Entrevista com J. Modesto, escritor de literatura fantástica
 
 
Entrevista com J. Modesto, escritor de literatura fantástica, que aborda o enredo e processo criativo para a elaboração de seu livro de estreia, Trevas. Obra que o tornou famoso e destaque nesse gênero literário, conquistando muitos leitores que se encantam por suas histórias repletas de aventuras, ficção e terror. 
 
Por Renisse Ordine (Colunista Literária)
 
1- O livro “Trevas” foi o seu primeiro livro de sucesso. O que você acha que mais chamou a atenção dos leitores para essa obra?
 
Resp – Olá, Renisse! Obrigado pela oportunidade. Vamos lá! Trevas traz muita coisa de minha vida que me influenciou, como cinema, HQs, historia policiais, humor e um toque de “maldade” com um dos protagonistas, além de respeitar o mito do vampiro. Acho que é o conjunto de tudo isso que conquistou e ainda conquista os leitores de Trevas, que constantemente me pedem a continuação.
 
2- Como foi a repercussão dessa obra, na época do lançamento?
 
Resp – Foi extraordinária. De todos os meus títulos, Trevas foi o que mais vendeu em seu lançamento e até hoje não foi superado por nenhum dos meus outros títulos, nem mesmo a coletânea Amor Vampiro, que participei com outros 6 autores e foi um marco na literatura de terror nacional na época de seu lançamento.
 
3- Conte-nos sobre o enredo de Trevas?
 
O enredo de Trevas é bastante simples, narrando um embate de forças antagônicas, mas o que o difere dos demais é a forma como isso é feito. O destino acaba colocando personagens antagônicos como aliados para enfrentar um mal maior, personificado em um demônio Elemental, que tem o poder de manipular o elemento terra. Todo o texto é escrito de forma a dar a impressão de estar assistindo a um filme, possuindo cenas em que o leitor pode ter um breve vislumbre da mesma situação sob a ótica de vários personagens.
 
4- Qual o tema principal de “Trevas”, há alguma mensagem que você quis passar ao leitor mesmo se tratando de uma obra de ficção?
 
Resp – O tema principal da narrativa é “vingança”. Todos têm um motivo para se vingar de alguma coisa ou alguém e isso traz consequências para todos. Talvez essa seja a mensagem oculta a ser passada ao leitor. Contido, quando a narrativa foi escrita, o objetivo principal era contar uma boa história que trouxesse momentos de prazer e diversão ao ser lida.
 
5- Como foi o processo de criação literária do livro, como surgiu essa história, ou seja, qual foi o seu embasamento?
 
Resp – Na verdade gosto e escrevo desde a minha adolescência e Trevas foi uma evolução natural de um pequeno conto escrito na minha juventude, apesar de ter começado a tomar corpo somente muitos anos mais tarde. Ele foi desenvolvido através de um processo que utilizo até hoje em meus livros, que constitui escrever o início da história, ou seja, o seu ponto de partida, e o fim, o ponto de chegada, deixando claro onde começa e onde termina. Isso facilita, para mim, manter a narrativa nos eixos, sem dispersar muito, o que não significa que tanto o começo quanto o fim não sofram pequenas alterações. Quanto a base da história, utilizo muita coisa da minha vivência e de pesquisas que realizo. Trevas tem muito da minha paixão por cinema, super-heróis e histórias policiais e terror.
 
6- Ainda no processo literário, qual foi a maior dificuldade que você encontrou durante a escrita de “Trevas”? Houve um momento em que você precisou parar por algum motivo ou as ideias fluíram naturalmente?
 
Resp – A maior dificuldade que encontrei em Trevas não foi a fluidez, isso aconteceu naturalmente, mas sim a obrigação de manter a coerência e verossimilhança da história. Mesmo sendo uma ficção, ela deve ser coerente. Afinal, é impossível alguém armado com dois pedaços de madeira, unidos por uma corrente, derrotar um demônio poderoso sem sofrer qualquer tipo de consequência, mesmo sendo o protagonista. Como disse, a história fluiu naturalmente, mas a revisão foi um pouco mais demorada, devido aos pontos que relatei acima.
 
7- Quais são as características dos personagens, e quais são os grupos presentes no enredo?
 
Resp – Você deveria trabalhar como investigadora, Renisse. Seus questionamentos me colocam numa saia justa, rs. É difícil responder sem estragar a leitura do livro e dando spoilers, mas vamos lá. Como protagonista temos dois personagens. Um é o artista marcial, que busca vingar a morte dos pais, executados pelo Chefão do Crime Organizado, o qual é um dos antagonistas da história. O outro é um vampiro secular, que busca vingança contra os Demônios Elementais, que destruíram sua família quando ele ainda era humano, na Idade Média, e ele vêm atrás de um desses demônios, que se encontra no Brasil. O antagonista principal é o Demônio Elemental da Terra, que sob a identidade de um político, manipula a tudo e a todos. Existem personagens coadjuvantes, também importantes para trama, como um cardeal que faz um acordo com o vampiro, visando cumprir uma missão dada pelo próprio Papa. É uma boa salada, fácil de digerir e muito saborosa.
 
8- Há um personagem primário ou secundário preferido?
 
Resp - Na verdade gosto dos dois protagonistas. O justiceiro porque me remete três coisas que gosto: artes marciais, histórias policiais e HQs da Marvel/DC. O Vampiro, porque representa minha paixão por contos de terror e lendas envolvendo seres fantásticos.
 
9- Você diz que ao ler o livro, o leitor se sente como assistindo a um filme, o que mais segura a leitura, a história ou os seus personagens? A leitura é de começar e não querer desgrudar até concluir?
 
Resp – Na verdade, o que segura o leitor é todo o conjunto. Os personagens foram construídos de forma a serem completos, tanto física como psicologicamente. A ação vai em uma crescente, começando a narrativa de forma suave até atingir o seu ápice, deixando um gostinho de quero mais no seu fechamento. Tenho muitos leitores que me escreveram dizendo que quando começaram não conseguiram parar até terminar o livro, então, acredito que sim, ele é de começar e não querer desgrudar até ser concluído.
 
10- Porque o leitor que está conhecendo você agora deve adquirir Trevas e iniciar a leitura rapidamente?
 
Resp – Porque não devemos ter medo do novo. O que seria dos grandes nomes da literatura se não tivessem leitores que arriscaram a lê-los? Não é o jornalista, o critico literário ou a editora que faz o sucesso de um autor, mas sim o leitor, que irá julgar seu trabalho. Se ele for bom, jamais será esquecido. Se seu trabalho for medíocre, será jogado às trevas. Mas lembremos de que existem muitas boas histórias imersas na escuridão, aguardando que um leitor jogue sua luz sobre ela. Espero que Trevas seja banhado por tal luz. Obrigado pela oportunidade.