Cefas Carvalho

19/02/2020
 
 
O fundo do poço como projeto político
 
 
Na manhã da terça-feira, o presidente da República Jair Bolsonaro faz uma asquerosa insinuação sexual ("Ela quer dar o furo") a uma jornalista.
 
na tarde da mesma terça, um senador (Flávio, filho do presidente) posta no Twitter vídeo de autópsia de um criminoso (o miliciano Adriano de Sousa, recentemente morto, por sinal homenageado por ele e ligado a ele).
 
Crimes, um e outro. Show de horrores. Primeiro, assédio sexual a uma jornalista (Patricia Mello Campos) que investiga questões envolvendo o bolsonarismo (Fake news durante a campanha). O segundo, divulgar um vídeo que é sigiloso da polícia.
 
A cada dia os Bolsonaros e seus ministros, aliados e seguidores baixam a altura do sarrafo. Neste diapasão talvez cheguemos em breve ao fundo do poço.
 
Talvez seja isso que eles queiram. O fundo do poço. Onde é mais difícil investigar, mais difícil falar em Democracia, em ciência, cultura e Direitos Humanos. Em terrenos pantanosos é mais fácil falar em medidas drásticas e regimes de exceção.
 
Então, temos o fundo do poço como possível - diria provável  - projeto político.
 
Pois é para lá que estamos indo.