Renisse Ordine

12/03/2020
 
Rachadinha cultural: Minoria ou maioria, a quem pertence à cultura brasileira?
 
Durante a semana, pensei muito sobre a divisão colocada pela secretária da cultura, Regina Duarte, sobre a qual setor, o dinheiro público deveria  ser destinado para produzir cultura. 
 
Sempre acreditei e, continuando acreditando, que o desenvolvimento cultural e o social, devem ser proporcionados do povo para o povo, e o povo, somos todos nós: brasileiros. Sem mais ou menos dinheiro, estamos todos debaixo do mesmo céu da terra brasilis. 
 
A cultura não é feita para agradar a esse ou àquele grupo, ela é, sim, destinada a remover e a remexer nos padrões, ou seja, para nos tirar dessa zona de conforto do certo ou errado. 
 
Em seu discurso de posse, ela mesma define cultura como libertação, sim, e é isso mesmo, é a libertação que as pessoas precisam para se desassociarem das algemas do preconceito que ainda persistem em nosso país. O teatro, o cinema, os livros, os shows musicais e tantas expressões artísticas amaciam a mente desse pobre povo brasileiro, em grande parte, capazes de enxergarem somente dois caminhos: o do certo e a do errado. Nunca uma terceira, quarta, quinta via... Que corresponde a diversidade.
Nesse extenso país, a cultura precisa ser o alto-falante a divulgar novos parâmetros e horizontes. Ela é  fortemente capaz de enfraquecer esse conservadorismo que prende e atropela o modo liberto de pensamento, e porque não? As novas tendências culturais que surgem, pois, as crianças e os jovens aqui estão para nos apontar que não devemos nos manter congelados no tempo, ao contrário, devemos nos renovar todo o dia. 
 
Em outro momento, Regina cita sobre as nossas culturas e costumes: como a caipirinha, o arroz com feijão, as brincadeiras de roda, o futebol, o palhaço (não vou me adentrar na questão do pum de talco). Mas, isso é a outra finalidade  da cultura, a união, a deliciosa sensação de pertencemos a uma história e pisarmos, em nosso solo, olhando para nossa gente. Aqui aproveito para citar Monteiro Lobato, que se utilizava de uma valiosa ideia: a de aprendermos a olhar para nós mesmos e valorizar as nossas raízes. Parece que isso ainda é uma dificuldade!
 
Partes do seu discurso vêm reafirmar o que penso do propósito de se fazer cultura, aqui ou em qualquer lugar do mundo, dando aquele soco no estômago, provocando o arrepio na espinha, o sorriso nos lábios e as lágrimas dos olhos. Todos os sentimentos capazes de fazer qualquer pessoa parar por alguns instantes e simplesmente, pensar e sentir, vendo a realidade, logo ali, em sua frente. Libertando e livrando a alma de todos os nós, que a corda do conservadorismo deixa em nossos pensamentos. Esses nós, causadores de tanto sofrimento.
 
Cultura é essa sensação de liberdade de poder falar sobre o que incomoda e não ser agredido por isso, e também, é a vontade de sair dançando, que ela descreve. Mas isso só será válido se a maioria e a minoria puderem se dar as mãos, e sentirem o mesmo ritmo de conhecimento, por um caminho que nos engrandeça cada vez mais como nação.
Para finalizar, cultura somos nós, sem rachadinhas, e sim, de corpo inteiro!