Wellington Duarte

20/03/2020
 
CORONAVIRUS : A EQUIPE ECONÔMICA QUER UMA "EUGENIA SOCIAL"?
 
Em fins do ano passado, de acordo com dados do IBGE, já existiam, no BraZil, 13,5 milhões de pessoas vivendo na EXTREMA POBREZA, ou seja, sobrevivendo com menos de R$ 145 por mês. De 2017 para 2018 foram 200.000 pessoas a mais que assumiram o status de miseráveis. Um ano antes, porém, de 2016 para 2017, a alta havia sido de 1.339 milhão.
 
No RN, com seus 3,5 milhões de habitantes, temos nada menos que 38% da população do RN, que vive com menos de R$ 420 por mês, diz IBGE, ou seja, são POBRES, a caminho de serem MISERÁVEIS. Em números absolutos significa cerca de 1,3 milhão de pessoas, um contingente MAIOR do que toda a cidade de Natal, que tem mais de 810 mil habitantes. Para piorar, os MISERÁVEIS no RN representam 10,3% da população, cerca de 330 mil pessoas.
 
Temos, portanto, nada menos que 1.630.000 pessoas em enorme situação de risco social e aí chega a COVID-19, mostrando o quanto fomos negligentes com os pobres e negamos vida aos miseráveis. E quando nos deparamos com as dezenas de reportagens sobre a pandemia, nas grandes redes comunicação, onde estão os pobres e miseráveis?
 
Estão “desaparecidos” e “silenciados”. Parecem não existir.
 
Com uma economia que está estagnada, com um Estado basicamente destroçado pelo próprio governo e já a caminho de uma profunda recessão, o que fazer quando estamos presenciando os efeitos de uma visão distorcida e desfocada de governos atacados pelo desejo mórbido de encolher o tamanho do Estado na economia?
 
A resposta do governo foi, como sempre, genérica e pouco profundo, mostrando sua baixa capacidade de gerir situações de crise. Propõe três coisas básicas : privatizar Eletrobrás; permite os estados e municípios flexibilizarem seus gastos com Saúde, mas proíbe as isenções fiscais; e auxílio a estados e municípios com dificuldades fiscais, com base no Plano Mansueto, tendo como contrapartida privatizações de empresas do ente auxiliado e/ou que aderir ao Plano, redução de isenções fiscais, alteração de regime de benefícios de servidores(as), como, por exemplo, o fim da estabilidade, entre outros.
 
De acordo com o governo fascista esse “grande plano” traria recursos de R$ 147,3 bilhões para serem injetados na economia e correu para ajudar os bancos, já bastante inchados com os lucros derivados da crise, reduzindo os compulsórios, que alegrou os banqueiros mas que não chega ao “respeitável público”.
 
E qual a posição do ministro da Economia? Insiste em manter a agenda de desmonte do Estado, defendendo abertamente a continuidade das privatizações do Estado e insistência nessa pauta demonstra a completa ausência de uma estratégia articulada e alinhada com o tamanho do desafio colocado pela pandemia, vendendo as “reformas” como “salvação” do país.
 
O grande vilão dessa desgraça é a Emenda Constitucional 95 e Guedes e sua trupe se aferra na defesa dela. É impressionante como uma equipe econômica é tão inimiga dos mais pobres e dos miseráveis. É como se estivem dispostos a fazer uma eugenia social.
 
E la nave va...