Cefas Carvalho

18/04/2020
 
Envelheço na cidade (sobre isolamento e aniversário)
 
 
Amanhã, 19 de abril completo 30 dias/ 1 mês de isolamento social. Sim, não perdi a noção do tempo, até porque tenho calendário imenso no quadro de cortiça na parede em frente ao meu ´escritório` caseiro. Fosse presidiário seria daqueles de contar os dias com palitinhos desenhados na parede.
 
E hoje, falta 1 mês exato para meu aniversário, 18 de maio. Havia planejado celebra-lo ou em Pipa ou no Beco da Lama, entre filhos, enteados, namorada, agregados e amigos e amigas, todo mundo junto e misturado como era para ser.
 
Mas, claro, percebemos todos que não vai ser assim. Possivelmente ainda em isolamento e com as curvas do Covid-19 aumentando. Enfim, sem querer fazer o jogo da Poliana contente, que nem combina comigo, o negócio é ter consciência que tenho situação privilegiada em relação à maioria das pessoas em confinamento.
 
O negócio é tentar produzir, não deixar a peteca cair, não endoidar e, parafraseando (e deturpando) Maiakovski, nem morrer de vodca nem de tédio. Envelheço na cidade, como cantava o Ira!, mas, agora confinado. Sigamos.