Wellington Duarte

22/04/2020
 
SOCIEDADE POTIGUAR SE LEVANTA CONTRA O GOLPE NO IFRN
 
 
Em 1979 entrei na então Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (ETFRN), no curso de Técnico em Saneamento e sai de lá em 1982, período em que a DITADURA arquejava e foi lá na ETFRN que abri os olhos para a discussão política.
 
Hoje, ao ver um elemento, que se dizia “de bem” e defensor das leis, aceitar o papel de golpista pusilânime e ainda ter a cara de pau de divulgar uma nota em que não enxerga nenhuma irregularidade, vejo o quanto o RN mergulhou no obscurantismo e hoje está diante da mais grave crise que uma das maiores instituições do RN passa.
 
O senhor que foi alçado à condição de “reitor pró-tempore” com uma canetada de um indivíduo cujo procedimento à frente do Ministério da Educação, se estivéssemos numa democracia, já teria provocado indiciamentos dada à sua capacidade de insurgir contra as regras básicas da administração pública. O senhor Josué, talvez embevecido por ver nesse golpe uma possibilidade de sair do obscurantismo, agarrou-se a ela.
 
Flagrado entrando sorrateiramente na madrugada já mostra a natureza de sua nomeação e a defesa feita pelo general de pijama, que tem uma visão própria de “democracia” que se remete ao “movimento democrático de 1964” que, para “salvar o país de uma ditadura comunista”, meteu-o numa ditadura corrupta e cujo legado foi uma moratória em 1982 e uma década com a economia em frangalhos.
 
O descaramento do preposto do MEC, já que ele não recebeu NENHUM voto no processo democrático de escolha, o deixa exposto ao ridículo. Um reitor que não teve voto, que era um desconhecido, que tenha peso ZERO na vida política do IFRN, agora é a maior autoridade da instituição.
 
SINTE-RN, SINASEF e ADURN-SINDICATO, sindicatos ligados à área de Educação, se posicionaram imediatamente rechaçando o Golpe. Nas redes surgiu um movimento chamado “Não nos calarão”, criado pela rede de Grêmios do IFRN que já recolheu mais de 25 assinaturas de apoio, em defesa da legitimidade do Reitor eleito José Arnóbio. Vários representantes de partidos, fóruns, movimentos sociais e outras entidades da sociedade se ergueram contra esse ato cheio de ignomínia.
 
A justificativa de um processo existente contra o Reitor eleito, é patético e só serve para “armar” essa súcia fascista que se apoderou da República, mas o que o “cidadão de bem” talvez não esperasse fosse essa reação, que promete não esmorecer.