Cefas Carvalho

06/05/2020
 
 
A falsa polêmica das ´lives`: Assiste quem quer!
 
 
Diariamente vejo, em redes sociais ou mensagens em grupos de Zap amigos, conhecidos ou formadores de opinião criticando, seja de maneira bem humoarado, seja de maneira cruel, o suposto excesso de lives, as transmissões ao vivo via rede social, que acontecem atualmente.
 
A princípio, a ideia parecia boa: Já que estamos todos confinados, por que não um show ao vivo da casa do artista, ou um bate papo entre escritores, políticos, cientistas etc? 
Depois, começou-se a crítica ao formato de algumas dessas transmissões e ao excesso delas. Suposto excesso, repito.
 
Porém, mais que o mérito da questão - se estão acontecendo muitas lives ou não - quero propor uma pergunta à guisa de provocação: Somos obrigados a assistir todas elas? Na verdade somos obrigados a assistir uma só que seja delas?
 
Se o cantor sertanejo chato que você mais odeia está fazendo uma live, você é obrigado a assisti-la ou mesmo estar na redes social em que ele transmite naquele momento? Se aquele escritor arrogante que você não suporta está falando sobre a obra dele em live no Instagram você é obrigado a apertar no ícone para ve-lo? Se o político que você despreza está fazendo live no Facebook na página pessoal dele, isso realmente te incomoda?
 
Estamos todos confinados, como tanto já foi dito, sem podermos participar de atividades sociais. Queremos fazer algo em casa, para não sucumbir ao tédio, á ansiedade, á rotina, ao ócio. Por que não lives? E por que nos incomodarmos com as lives alheias?
 
Esse patrulhamento, ainda que de forma debochada, mostra um pouco sobre como nos tornamos intolerantes ao outro. Como se aquele outro que não curtimos não tivesse o direito de mostrar o que quer - música, bate papo, palestra, batuque, piada - ao vivo.
 
Entendam que não falo aqui de excessos ou deformações do formato, como cantores se excedendo no álcool ou aglomerando pessoas justamente em tempos que devemos manter isolamento. Não falo aqui de ações equivocadas dos emissores. Falo da postura do potencial receptor, de não querer assistir uma transmissão e não querer também que ela seja realizada, ou criticar a sua existência.
 
Lembra daquela piada velha sobre o controle remoto quando você não gostar da programação de TV? Pois é. Tem um botão no controle chamado "Desliga" ou "Off".
 
O mesmo sobre as lives. Se não gosta, não assiste. Simples assim.