Cefas Carvalho

13/05/2020
 
Pelo direito de eu contaminar quem eu quiser
 
 
Sim, a frase que abre esse texto é dura, cruel até, e uma evidente provocação, ou, melhor que isso, um convite à reflexão. Eu, Cefas Carvalho, não tenho o direito, nem legal nem moral, de contaminar ninguém com uma doença que eu tenha, conscientemente ou não.
 
Da mesma maneira. ninguém têm esse direito. Qual sua opinião sobre uma pessoa que sabe que tem HIV fazer sexo com outras pessoas sem camisinha? 
 
Também poderíamos pegar o exemplo do álcool ao volante: Eu, você que me lê ou qualquer pessoa têm o direito de beber todas e sair dirigindo por aí? Sabemos que não, que isso é crime imputável e que a pessoa vai perder carteira e direito de dirigir.
 
Uma ação sua que coloque em risco a vida de outras pessoas não é Liberdade, não envolve este conceito. É falta de senso coletivo mesmo.
 
Leio que nos EUA e na Europa começam a sair ás ruas manifestantes "pelo direito de ir e vir". Ou seja, de arriscar  - caso estejam infectados, ainda que assintomáticos - contaminar outras pessoas. Na Alemanha alguns foram mais além e mais sinceros: "Pelo direito de eu contaminar quem eu quiser".
 
No Brasil também temos esses manifestantes, seja os bolsonaristas aloprados que insistem em suas carreatas da morte aos domingos, seja os negacionistas que saem por aí sem máscara e tentam desafiar os decretos estaduais.
 
A diferença é que nos EUA e na Europa manifestar pela quebra do confinamento dá cadeia, A polícia vai lá e prende. Aqui, esta ação é muito tímida ainda. Uma pena que a polícia brasileira ainda seja tão reticente na hora de prender gente branca de classe média. Dois pesos e duas medidas em relação a como age com as comunidades periféricas de tons de pele mais escuros.
 
Voltando ao mérito da questão, sabemos que uma pandemia causada por um vírus ainda desconhecido e sem cura é uma situação extraordinária. Que gera medidas igualmente atípicas, como o confinamento, e até mesmo o lockdown, quando necessário. 
 
Da mesma forma que não dirigir embragado é tanto uma lei como um pacto social de civilidade, assim como é um pacto social a vacinação infantil, para que nenhuma criança seja infectada e possa infectar outras, não contagiar ou ter esses risco, outras pessoas faz parte de um pacto social emergencial causado por uma pandemia.
 
Querer quebrar este pacto é desprezar o coletivo, é querer sob o pretexto de uma "liberdade" que ele não terá (liberdade de beber em um bar? de ir a uma festa?) brincar de desafiar a autoridade e seus decretos e,m de quebra e mais grave, infectar outras pessoas que desejam manter o pacto social de não deixar que o sistema de Saúde entre em colapsos e que o minímo de pessoas venha a óbito.
 
Quem desrespeita as regras de isolamento, faz festas e/ou se recusa a usar máscara em ambiente público tem que ir preso mesmo e levar multa. Ponto final.