Andrezza Tavares

17/05/2020

 

 

Andrezza Tavares

Eduardo Chagas

 

O cenário de adesão universal por aulas cibernéticas sinaliza para contextos de transformações institucionais, culturais e de práxis no campo da educação.  A coluna do jornal Potiguar Notícias “Educação com Andrezza Tavares” de 17/05/2020 apresenta a narrativa da experiência do Professor e Pesquisador Eduardo Francisco das Chagas, docente de cursos técnicos de nível médio, no sistema privado de educação profissional do Rio Grande do Norte. Socializar narrativas de professores que estão na travessia do desafiante contexto de escolas eletrônicas disseminadas mundialmente em função da mitigação do COVID-19 é um exercício engajado com o desenvolvimento humano e social.

De acordo com o professor Eduardo Chagas, "os caminhos e/ou estratégias encontrados pelas escolas de educação profissional privadas têm sido a utilização das redes sociais, lives, e-mail, aplicativos, instagram, google meet e o youtube. Estas alternativas, antes da pandemia, eram canais de consulta pedagógica e tecnológica pouco exploradas pelos professores. A adesão ao contexto cibernético para a mediação do conteúdo curricular faz com que os docentes tenham que se adequar a uma nova rotina, modificar os planejamentos, desenvolver competências com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), e ampliar a formação e o diálogo com a gestão escolar para incorporar tais inovações ao fazer pedagógico dos docentes".

Na maioria das vezes os alunos que buscam cursos técnicos são aqueles que necessitam de inserção imediata em área de atuação. Segundo o Professor, “para estes estudantes, a prática é fundamental na sua rotina escolar se constituindo em uma atividade constante nos currículos dos cursos técnicos”. Assim, considerando a ênfase dos currículos da educação profissional quanto às atividades práticas um questionamento insurge: como se configuram essas práticas nesse período de quarentena? O professor Eduardo explica que “a escolha tem sido por disciplinas que não necessitam de atividades em laboratórios ou de campo empírico em virtude do momento de isolamento social. Desta forma, o trabalho docente tem priorizado disciplinas eletrônicas que têm carga horária mais curta e que podem dispensar atividades práticas”.

No tocante ao importante processo de interação nas aulas virtuais, Eduardo Chagas comenta que “é fundamental enfatizar a dificuldade enfrentada pelos alunos principalmente porque estão habituados a estudarem em uma sala de aula física e com a presença de professores. A interação virtual é o principal gargalo que enfrentamos, penso que as escolas de educação profissional privadas, em sua maioria, não estão assertivamente preparadas para lidarem com as ferramentas tecnológicas necessárias para as aulas on-line. Este aspecto nos angustia e preocupa grandemente”.

Sobre a perspectiva de professores da educação profissional privada no Rio Grande do Norte, o docente assinala que “as circunstâncias da atual pandemia deixará marcas no campo da educação e da sociedade tecnológica. A conclusão pedagógica que se desenha neste momento é a de que “de um lado, se posicionam os estudantes que reconhecem as tecnologias como ferramentas interessantes no contexto de aprendizagem profissional, embora, não as considerem suficientes para os processos de ensino e de aprendizagem realçando que a presença física dos professores é fundamental na sua formação. De outro lado, se posicionam os professores que passaram a compreender o quão é importante a formação continuada, principalmente, em termos de competências tecnológicas, muitos docentes estão buscando maior intimidade com o mundo tecnológico, isto é um ponto bem positivo. Ademais, temos que mencionar o perfil sócio-econômico do aluno do curso técnico que na maioria das vezes enfrenta vulnerabilidade social alargando ainda mais os desafios para a docência no atual contexto”.