Andreia Braz

30/05/2020
 
Um aniversário diferente
 
 
Não sou de fazer festa de aniversário, mas há sempre diversas comemorações com alguns amigos e familiares. Nada muito sofisticado. São cafés, almoços, jantares ou mesmo um barzinho com música ao vivo, de preferência, e um bom petisco com uma cerveja bem gelada. Já teve aniversário comemorado com pizza também. Quem me conhece sabe que sou fã da pizza marguerita. E uma das melhores que já provei foi a convite do meu amigo Mário Sérgio, numa pizzaria italiana de Ponta Negra, Tomatino. Aliás, estamos precisando de um encontro para colocar o assunto em dia, amigo, mas teremos de esperar o fim do isolamento social para nos abraçarmos outra vez e saborearmos aquela pizza com um suco de laranja bem gelado, do jeito que a gente gosta.
 
Meu aniversário nunca é comemorado em um só dia. São três ou quatro momentos especiais que se repetem a cada ano e sempre me deixam muito feliz por estar ao lado de pessoas tão queridas para festejar a minha existência e, principalmente, agradecer por tê-las comigo. Aliás, isso é algo que aprendi com a minha família, desde cedo. Aniversário sempre foi sagrado lá em casa. Mesmo que seja de forma simples, procuramos comemorar o aniversário da nossa mãe, dos nossos irmãos, sobrinhos. Algo que não pode faltar nessas ocasiões é um bolo feito por Larissa, minha sobrinha, uma excelente cozinheira que sempre prepara comidas deliciosas em nossos eventos familiares, especialmente no Natal e no Réveillon. Tenho outros sobrinhos e irmãs que cozinham super bem e não vou citar todos aqui porque a família é grande, mas posso destacar Pedro Vitor e Lucas (sobrinhos) e Tereza, Clara e Cícera (irmãs), além da minha mãezinha, claro. O melhor fígado acebolado é dela, e a melhor galinha torrada também. Isso sem falar nos seus bolinhos de banana... As sobrinhas mais novas, Letícia e Raphaela, já estão indo no mesmo caminho. 
 
No quesito presente, alguns são bem marcantes, lembro de uma agenda que ganhei aos quinze anos da minha irmã Cícera, a qual guardo comigo até hoje. Foi meu primeiro diário. A agenda veio com uma caixa de chocolates Garoto.
 
Voltando às comemorações do meu aniversário. Um dos encontros sagrados é com alguns amigos da confraria “Mesa das Consolações”, um grupo que se reúne há oito anos para tomar café e conversar sobre literatura, cinema, política e o que mais estiver na pauta do dia. Aliás, já falei desse grupo em uma outra crônica (“Do amor aos livros”), uma homenagem ao amigo bibliófilo Atelmo Oliveira. Outro encontro sempre muito esperado é o do grupo “Letrinhas”, formado por oito amigas da faculdade de Letras que elegeu Monalisa Medeiros, a pessoa mais festiva e intensa que conheço, como a “organizadora oficial” dos nossos eventos. E mesmo que o grupo inteiro não possa se reunir, nos encontramos mesmo assim. Nem sempre as agendas coincidem.
 
E para encerrar as comemorações, há sempre um momento em família, com direito a uma boa pizza ou almoço de domingo (mesmo que o aniversário não tenha sido exatamente esse). É dia de ficar perto da mamãe e receber muito amor dos meus sobrinhos. Esses almoços geralmente acontecem na casa da minha irmã Tereza e são regados a boas conversas e sobremesas deliciosas (pudim de leite, cocada, delícia de abacaxi). Feijão verde, salada e frango assado não podem faltar. No final da tarde, o bom e velho café e tapioca recheada com coco e/ou queijo coalho. 
 
No meu aniversário de 2019, pensei em fazer algo diferente, também para prestigiar o trabalho de uma amiga querida. Planejei comemorar meus 38 anos em um barzinho onde a Banda Mariloh estivesse tocando naquele dia, uma sexta-feira. A banda é comandada por Mariana Lorena, amiga do curso de Letras, com mestrado em Linguística e professora temporária de Língua Portuguesa no IFRN. Uma excelente profissional que transita entre o mundo das artes e o das letras com um profissionalismo brilhante. Isso sem falar no seu carisma, na sua alegria de viver e na forma poética de enxergar o mundo. Sua fé também é algo admirável. Conversar com Mari é sempre um grande aprendizado. No entanto, não pude realizar meu desejo, e o motivo foi a morte do filho de uma amiga querida um dia antes do meu aniversário. Não havia clima para festa. 
 
Jamais poderia imaginar que em 2020 estaríamos vivendo um momento tão dramático para a humanidade, a pandemia do novo coronavírus. Nem um abraço pude receber no dia em que fiz 39 anos. Mas não estou me queixando por isso. O primeiro presente foi um dia ensolarado. Apesar do distanciamento social, passei o final de semana inteiro recebendo declarações de amigos e familiares e também alguns mimos que foram enviados para minha casa, com a devida segurança que o momento exige. Foram dois dias de muito afeto. Meu coração está em festa.
 
O que mais desejo é poder retribuir de algum modo o carinho dessas pessoas e continuar sendo merecedora de todo esse afeto que recebi em forma de livro, comida, perfume, telefonemas, e-mails, áudios, mensagens escritas e tantas outras demonstrações de amor. Do meu amigo Nelson Patriota, ganhei dois livros, “Só garotos” (Path Smith) e “Ficções de um gabinete ocidental” (Marco Lucchesi), e do amigo Paulo Ramos, uma obra clássica da literatura espanhola do século XVII, “A Arte da Sabedoria”, de Baltasar Gracián. De Monalisa Medeiros, um bolo de cenoura com cobertura de chocolate. O amigo Luiz Rocha presenteou-me com um almoço delicioso, uma lasanha de camarão, e uma sobremesa de dar água na boca, cheesecake de goiaba. Aniversário melhor que esse eu não poderia ter.