Cefas Carvalho

17/06/2020
 
Para retomar a Economia o consumidor tem que estar vivo e em segurança
 
 
Leio com atenção os estudos e diálogos entre Governo do Estado e entidades comerciais e empresariais no sentido de retomar gradualmente as atividades econômicas. Inclusive, torço para que isso aconteça logo.
 
E sei das dificuldades passadas por comerciantes, principalmente de médio e pequeno porte, que viram de um momento para outro o faturamento reduzir drasticamente e tiveram que demitir ou licenciar funcionários e, em alguns casos, até mesmo a fechar. Tenho amigos microeempreendedores com quem converso e me solidarizo com o desepero deles, que, como sabemos, tem contas a pagar e que se manter e sem faturamento, fica difícil. 
 
Contudo, retomar a Economia sem um planejamento sério e sem as ações essenciais (testagem em massa, ações de segurança, isolamento ter sido efetivo) é, além de loucura e flertar com a morte, sabotar a própria retomada das atividades econômicas.
 
Porque uma segunda onda de contágio (e mortes) vão obrigar a Economia a se fechar de novo. E, para usar de um clichê muito usado nas redes, o consumidor tem que estar vivo e saudável para consumir. Cliente doente gasta o dinheiro em hospitais e remédios. E cliente morto nem paga e nem compra.
 
Os países onde as atividades econômicas estão sendo retomadas o fizeram porque apostaram em isolamento adequado ou mesmo lockdown, casos de Portugal, Austrália e Nova Zelândia, onde a vida tenta voltar ao normal com segurança e projeções científicas.
 
Ah, mas, como ficam os empreendedores que precisam sobreviver e manter as empresas? Bem, passei anos entrevistando empresários que se queixavam que pagavam impostos demais ao Governo Federal. Não era hora, portanto, da classe empreendedora cobrar deste mesmo Governo Federal a necessária ajuda financeira para manter as empresas e empregos, como aconteceu em boa parte do mundo?
 
Todos nós queremos que isso acabe. Empresários querem vender e consumidores querem comprar. Mas, como segurança. Não vale a pena arriscar ser infectado por um vírus sem cura (ou arriscar infectar outras pessoas) para comprar um sapato. Nem há alegria alguma em beber um chope com os amigos com a possibilidade de uma semana depois estarem todos entubados. Mais um clichê que rola nas redes: Falido se recupera. Falecido, não. É isso.