Emanuela Sousa

26/07/2020
 
 
Um turbilhão de emoções e sentimentos
 
 
E vai sendo assim, eu abro meus olhos com a mesma vista do apartamento.O barulho incansável da rua e a ansiedade vai abrindo um buraco cada dia maior dentro de mim.
 
Confesso que ainda na semana passada enchi minha geladeira com doces, iogurtes, refrigerante... Pedi comida pelos aplicativos quase durante toda a quarentena (coisa que não me orgulho muito em dizer).
 
Basta ligar a tv para ver as notícias e o humor já oscila entre o triste, o ansioso e com o resto de esperança que sobrou. Lá se vai mais uma caixa de pizza vazia para a lixeira do condomínio, lá se foi mais uma crise de ansiedade porque as mensagens não chegaram e a ligação não foi atendida.
 
A solidão me visitou hoje. Não bateu na porta, entrou sem pedir licença, sabe que já é de casa. Escuto Cícero para a concentração enquanto trabalho no meu novo livro. Ao fundo Cícero cantava:
 
"Mas se você quiser
Alguém pra amar,
Ainda
Hoje não vai dar,
Não vou estar,
Te indico alguém. 
 
Mas fica um pouco mais,
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Que bom."
 
Hoje não vai dar. Terei que dormir abraçada com travesseiro outra vez, o beijo na boca será adiado, o date não vai rolar por enquanto. A carência me faz lembrar todos os dias que devo respirar fundo e manter a calma, eu já estive só antes e não morri.
 
Recebi a notícia que meu livro foi para a semifinal de uma premiação. Quem disse que preguei os olhos a noite? Fiquei me perguntando se era verdade. Não consegui chorar na hora, entrei num estado de choque. Como pode em plena pandemia eu receber um presente desse? É justo? Como vou comemorar? No meio de tantas mortes, tantos estragos feitos pelo covid... Peço perdão as milhões de famílias de perderam alguém querido, minha vontade era sair, gritar, pular na calçada de casa(até para ver se a ficha caia de uma vez) mas a consciência não me permitiu. Algo dentro de mim pede para que eu olhe a minha volta e adie as comemorações para um futuro próximo... Quem sabe.