Ana Paula Campos

27/07/2020
 
 
DIA NACIONAL DE TEREZA DE BENGUELA E DA MULHER NEGRA
DIA DA MULHER AFRO-LATINO-AMERICANA E CARIBENHA
 
 
Para quem cresceu lendo narrativas e teorias criadas por pseudointelectuais, pode ficar surpreso ao ser confrontado/a/e com o fato de que nós, mulheres negras, não compartilhamos apenas histórias de dor. Foram séculos de relatos nos associando à imagem da mucama dócil, ama de leite traidora dos seus/as irmãos/as ou até da mulata do corpo quente. 
 
O dia 25 de julho é uma data importante para lembrarmos que nossos passos vêm de longe. Mesmo antes do período escravagista no Brasil, mas hoje, em razão da data, irei me deter a este momento. Quando estudamos a trajetória de quilombos e aquilombamentos, no Brasil, nos deparamos com inúmeras lideranças femininas que tiveram suas façanhas silenciadas para evidenciar os feitos dos homens, escamoteando a representatividade da luta feminina.
 
Apesar dos poucos registros, sabemos que em 1740, no Quilombo do Quaritetê, mais conhecido como Quilombo do Piolho, emergia a “Rainha Tereza”, como era chamada entre os/as/es outros/as/es quilombolas. Tereza de Benguela liderava com força e sabedoria ao lado do seu companheiro, José Piolho. Seu comando se estendia desde a estrutura política, econômica até administrativa, liderando, protegendo e guiando mais de 100 pessoas entre negros e indígenas. 
 
Em 1992, no Primeiro Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, na República Dominicana, foi criado o dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. O motivo da comemoração nos remete ao fato de que não podemos esquecer que os corpos das mulheres negras são atravessados por múltipas identidades que de maneira intersseccional,  nos fazem ser quem somos. Vinte e dois anos depois, em 25 de julho de 2014, passamos a rememorar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Isso reforça a ideia de que nossa luta é grande, una e relevante onde quer que estejamos. 
 
UM SALVE PARA TODAS NÓS!