Alfredo Neves

28/07/2020
 
A arte naïf de Nilson 
 
 
Francisco Nilson dos Santos, conhecido no meio artístico como Nilson. Natural de Currais Novos-RN, onde nasceu em 17 de junho de 1970. Filho de Francisco Alves e Maria do Carmo Silva. No Início iniciou a sua atividade fazendo letreiro, abrindo letras para fachadas comerciais e designer publicitário. No mundo da arte não é novidade o artista iniciar a sua carreira profissional num segmento e se despertar mais adiante para aquilo que melhor irá representá-lo como opção que possa satisfazê-lo pessoal e mercadológica. Alfredo Volpi (1896-1988), por exemplo, iniciou a sua carreira como marceneiro, encanador, decorador de paredes e mais tarde fez a opção de entalhador e pintor, tornando-se então um dos maiores pintores ítalo-brasileiros de todos os tempos. Retornando ao nosso artista Nilson, além de abrir letreiros, os comerciantes pediam ao artista que desenhasse uma figura que pudesse identificar o estabelecimento. Por exemplo, num açougue, ele ainda desenhava a cabeça de um touro. Entre desenhos aqui e outros acolá, com isto ele se despertou para o aprimoramento e a pintar em painéis e telas para pinturas profissionais. 
 
No entanto, não foram só os letreiros e desenhos que influenciaram o artista Nilson, teve certamente aquilo que chamamos de percepção, sentimento, o “nascer para isto ou aquilo”, pois vendo desde criança pessoas pintarem e o seu irmão Francisco de Assis desenhar, permitiu então o despertar em definitivo para as artes plásticas em 1985. Depois deste período o reconhecimento foi imediato, contribuindo ao Nilson a venda de muitas telas e recebendo a partir daí elogios de muitos colegas e pessoas da área das artes visuais. Em 2005 foi incentivado a participar da sua primeira exposição e em 2006 participou da I Exposição de Arte Ingênua da Cidade do Natal, realizada na Capitania das Artes, onde saiu na Revista Brouhaha. 
 
Nilson já antecipa qual o seu estilo e movimento artístico, que é a Arte Primitivista ou Naïf. Pude em diversos artigos escrever sobre a Arte Naïf, desta maneira, sem muitas delongas, comento mais um pouquinho para os leitores da coluna se familiarizarem, fragmentos do artigo que escrevi sobre Iaperi Araújo, considerado um pioneiro e proeminente praticante da Arte Naïf no RN, alguns dados sobre o movimento: [...] O termo é de origem francesa que significa “ingênuo’. Os artistas desta escola são chamados de artistas primitivistas.  As suas técnicas são únicas e cada um adota o seu próprio estilo. As características mais importantes são: o autodidatismo, resultado da inexistência de formação acadêmica no campo artístico; recusa ou até mesmo desconhece o uso de cânones da arte acadêmica; composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa; não existe perspectiva geométrica linear; o artista não utiliza as regras da perspectiva; detalhamento das figuras e dos cenários; colorido exuberante e pinceladas contidas com muitas cores. Infiro que, os termos aplicados às artes, ou partem dos próprios criadores para definir as suas criaturas, como resultado das suas ações artísticas, ou se originam de críticos da arte para definir o que eles imaginam ser o ideal para ser aplicado aquilo que foi criado, tanto como uma crítica positiva ou uma exortação negativa ao movimento.  
 
[...] Com a sua origem na Europa, notadamente na França no século XIX, vanguardistas viam que esses artistas se dedicavam às artes como passa tempo. Isto, talvez, tenha contribuído para a cunhagem do termo “ingênuo”. A Obra O Alfandegário, de Henri Rosseau (1844 – 1910), fez com que o termo Naïf fosse utilizado pela primeira vez. Os principais pintores no Brasil são: Emídio de Souza (1868 – 1949), Antônio Poteiro (1925 – 2010), Wilma Ramos (1940 – 2009), Djanira da Mota e Silva (1914 – 1979), mestre Vitalino (1909 – 1963) e tantos outros. No Rio grande do Norte: Iaperi Araújo, há ainda pintores Naïfs como podemos destacar: Vantenor de Oliveira, o Macauense Roberto Medeiros, José do Vale,  Maria do Santíssimo (1890 – 1974), Iaponi Araújo (1942 -  1996), Gilvan Bezerril (1928 – 2010), Diniz Grilo (1956 – 2008) e tantos outros que abraçaram e técnica Naïf. 
 
A arte de Nilson, sendo desta escola, notadamente no que preconiza a origem do nome e da estética aplicados na sua produção, gerou para muitos analistas no campo das artes visuais, conceitos diversos. No entanto, contraponho, como muitos outros críticos de arte também se opõem, que de ingênua (a Arte Naïf) não têm é nada, muito pelo contrário, no caso das telas de Nilson, elas são belíssimas, regionalistas, sincretistas, tropicais, difusoras dos nossos folguedos, das danças populares e de um profissionalismo marcante. Podemos certamente difundir a ideia que notabilizou a arte Naïf, a partir da crença e do uso dessa “falta de interesse” como sendo uma arte ingênua, mas insisto em escrever em meus artigos que cada vez mais os artistas se dedicam com mais afinco e interesse de marcarem a História da Arte com as suas obras em importância igual ou superior a qualquer outro tipo de pintura que possamos conhecer dentro dos vários estilos conhecidos.
 
Na sua lista de telas recomendadas, tenho um apreço muito grande e elogiosos às seguintes: “Meu Balanço”, 40 x 50 cm, Acrílica Sobre Tela; “Maternidade”, 50 x 40 cm, Acrílica Sobre Tela; “Menino do Brasil”, 40 x 50 cm, Acrílica Sobre Tela; “Galo de Campina”, 50 x 40 cm, Acrílica Sobre Tela; “Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria”, 50 x 40 cm, Acrílica Sobre Tela; “As Frutas”, 60 x 80 cm, Acrílica Sobre Tela; “Lá no Meu Pé de Serra”, 40 x 70 cm, Acrílica Sobre Tela; “Violeiro”, 50 x 70 cm, Acrílica Sobre Tela; “Caju”, 50 x 40 cm, Acrílica Sobre Tela; “Cavalo”, 80 x 60 cm, Acrílica Sobre Tela.
 
Outras exposições foram também realizadas pelo artista, IV Salão da Semana da Marinha de Natal-RN, na Pinacoteca do Estado, em 2006, sendo premiado inclusive com a Menção Honrosa com a Obra “Liberdade – 1, Exposição de Artes Potiguares na Suécia, na Galeria Vanda Sida 1 Tr upp t.v. Linkopings Stads Bibliotek na cidade de Linkopings na Suécia, em agosto e setembro de 2008, II Salão Dorian Gray de Arte Potiguar, Fórum das Artes, em Mossoró-RN de 15 de junho a 15 de setembro de 2017, onde foi premiado com a obra “Vida de Cangaço”, selecionado para participar da XV Bienal de Artes Naïf do SESC de Piracicaba-SP em agosto de 2020, V Salão Dorian Gray de Arte Potiguar, Natal e Mossoró, onde também foi premiado neste Salão, e diversas outras exposições importantes.  Nilson já expos em muitas cidades do RN, do Brasil, na Argentina, no Paraguai e várias das suas telas estão espalhadas por diversos países.  
 
O artista mantém um ateliê, o Sertão das Artes, em Currais Novos-RN. Como boa parte do tempo ele fica em Acari-RN, lá ele produz os seus trabalhos em sua residência. As suas artes são comercializadas via redes sociais, tais como Facebook, Whatsapp e Instagran (@francisconilsondossantos). Nilson é mais um artista do RN que orgulha a todos nós com a sua hábil e orgulhosa arte plástica.
 
Fonte de Pesquisa:
Dados repassados pelo próprio artista
MONTEIRO, Jacy; Dicionário da Pintura Moderna, 1981, p. 255
GOMBRICH, Ernest Hans; A História da Arte, 2006
https://www.historiadasartes.com/nobrasil/arte-no-seculo-20/arte-naif/