Ana Paula Campos

03/08/2020
 
31 DE JULHO: DIA DA MULHER AFRICANA
 
 
Há 58 anos, em 31 de julho de 1962, durante a Conferência das Mulheres Africanas em Dar-Es-Sallam, na Tanzânia, instituiu-se este como sendo o Dia da Mulher Africana no combate à propagação da SIDA (Síndrome de imunodeficiências adquirida), na luta pela Educação e na garantia de paz e democracia, consagrando a reflexão do papel feminino na reconstrução da sociedade. A data é reconhecida por 14 países e oito movimentos de libertação nacional.
 
Atualmente no continente africano, a mulher tem sido discriminada e subjugada, sendo a mais pobre, que mais sofre violência de diferentes formas e a mais vulnerável à infecção pelo HIV/SIDA, de acordo com as estatísticas. ?Contudo é extremamente importante que aproveitemos a data para refletir sobre os aspectos que transfiguraram o continente africano, alterando estruturas milenares de diversas civilizações.
 
Antes da chegada dos colonizadores, a África era essencialmente matriarcal, ou seja, a figura feminina estava à frente das questões sociais, políticas, econômicas e culturais. O protagonismo das mulheres africanas foi significativo para mudanças que marcaram o continente. São rainhas, guerreiras e líderes espirituais que romperam costumes, conquistaram poder e respeito, expandiram domínios e insuflaram coragem em seu povo.
 
Nomes expressivos como, por exemplo, Hatshepsut e Nefertite, rainhas de Kemet no Egito; Makeda, rainha de Sabá; Amina, grande guerreira da cavalaria hauçá e que mais tarde se tornou rainha de Zazau, atual Nigéria; além de Nzinga, que era membro da etnia Jagas, um grupo guerreiro que formava um escudo contra portugueses comerciantes de escravos. Ela formou alianças contra potências estrangeiras para libertar Angola da influência europeia.
 
Mas você pode estar se perguntando qual a relevância dessa data para o Brasil. A resposta é óbvia: a África, como berço da humanidade, é palco de todas as grandes invenções como a escrita, a Agricultura, a Medicina, a Matemática, dentre outras conquistas que revolucionaram nossa forma de ser e estar no mundo. São inegáveis as suas contribuições para todos/as/es. E para nós, povo negro africano em diáspora, é tempo de rememorar nossas ancestrais que abriram os caminhos para que pudéssemos reivindicar nossa herança real e potente. Especialmente para nós, mulheres negras, essa data nos faz lembrar que, apesar da nossa atual condição de dor, é tempo de unir nossas vozes e transformar lágrimas em triunfo.