José Pinto Júnior

07/09/2020
 
Sete de Setembro - O Livro de Laurentino e o Brasil de D. Pedro  
 
 
Cada brasileiro tem o direto de criticar ou elogiar o Brasil. Pode defender que deu errado. Basta observar o título do livro escrito por Laurentino Gomes, mesmo autor de 1808, a obra: 1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – Um País que tinha tudo para dar errado. A partir do título do livro, a sugestão é que deu certo, ou pelo menos, poderia ser pior.
 
Dr. Pedro não estava em um cavalo bonito, como pintou Pedro Américo, e sim viajando de uma égua e com desarranjo intestinal. Estava mais para um tropeiro entre Rio e São Paulo, próximo ao Rio Ipiranga, quando recebeu as notícias que não lhe deixava outra saída, se não proclamar a Independência do Brasil, que já vinha sendo amadurecida em segredo. Seis semanas, antes do  Grito de Ipiranga,( 7 de setembro) em carta ao pai, D. João VI, Rei de Portugal, em 26 de junho de 1822, D. Pedro escreveu: “É impossível físico e moral Portugal governar o Brasil, ou o Brasil ser governado por Portugal. Não sou rebelde...são circunstâncias”.  Lá se vão 198 anos que o Brasil ficou independente de Portugal. 
 
O primeiro imperador do Brasil, aparece diferente do película cinematográfica onde o ator Tarcísio Meira o interpreta cheio de charme. Dr. Pedro do livro de Laurentino Gomes, parece mais próximo ao seriado da Rede Globo, Quintos dos Infernos. Mulherengo, maltrapilho e autoritário, mas politicamente habilidoso. “D. Pedro nasceu em 12 de outubro de 1798 no Palácio Queluz, 15 quilômetros ao norte de Lisboa, no mesmo quarto em que haveria de morrer 35 anos mais tarde”. 
 
A Independência do Brasil está longe da lenda de gestos gentis ou da beleza de uma pintura. “A guerra da independência foi longa e desgastante. Durou 21 meses, entre fevereiro de 1822 e novembro do ano seguinte(...) Só na Bahia mais de 16.000 brasileiros e aproximadamente 5.000 portugueses trocaram tiros durante um ano e quatros meses”. Registra-se entre 2.000 e 3.000 mortos na guerra pela independência, além de consumir muito dinheiro.
 
A princesa triste atendia pelo nome de Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, primeira imperatriz brasileira. Bem educada pela família real da Áustria casou por interesse das cortes envolvidas com o imperador dos trópicos.  Passou a viver em um Rio de Janeiro insalubre e cheio de insetos. Com o distanciamento do marido, D. Pedro que estava apaixonado pela Marquesa de Santos, Leopoldina escreveu a sua irmã em setembro de 1824: “Não reconheceis mais em mim a tua velha Leopoldina; meu caráter animado e brincalhão se transformou em melancolia”. Morreu às 10h15 do dia 11 de novembro, um mês antes de completar 30 anos, depois de sofrer aborto do nono filho. 
 
 Salta aos olhos, o rápido perfil de Maria Quitéria de Jesus.  Com trinta anos de idade se vestiu de com roupa masculina e alistou-se como voluntário com o nome de Medeiros. Pegou em armas para defender o Brasil. Foi descoberta depois de mostrar que era boa de briga. Então foi aceita e participou das batalhas na Bahia, “Maria Quitéria foi recebida no Rio de Janeiro pelo imperador D. Pedro I e condecorada com a Ordem do Cruzeiro”.  
 
O homem sábio entrou para a história como o Patriarca da Independência. Na primeira metade do século dezoito, José Bonifácio de Andrada, queria o fim da escravidão, reforma agrária, educação primaria gratuita e pelo menos uma universidade para ensinar ciências naturais, economia e direito.  Orientou D. Pedro I, a unir o Brasil a partir do Rio de Janeiro. Na independência, Bonifácio era “um homem com um projeto de Brasil” e trabalhou para separar o Brasil de Portugal e equipá-lo como “centro de força e unidade”, através do regime de monarquia constitucional, a partir da liderança do imperador D. Pedro I. 
 
A unidade do Brasil custou mais que um grito do imperador. Foram milhares de vidas ceifadas de brasileiros e portugueses lutando contra e a favor da independência do Brasil. Como D. Pedro não contava com soldados treinados, teve que contratar mercenários. Foi assim que sufocou os revoltosos nas províncias de Pernambuco, Bahia, Maranhão e Pará. “A história da rendição portuguesas das províncias do Norte e do Nordeste Foi marcada pela atuação do almirante Lord Thomas Cochrane, um escocês louco por dinheiro, herói maldito da independência do Brasil”, escreve Laurentino na página 122. 
 
Com bela ilustração de Rita Bromberg Brugger, editado pela Nova Fronteira, o livro traz ainda, capítulos como: A batalha de Genipapo, A Bahia, O Trono e a Constituinte, A Confederação, A maçonaria, O rei português, Adeus ao Brasil, entre outros.  
 
O imperador do Brasil fez um independência sem povo, no dia sete de setembro nas margens do riacho do Ipiranga. Fez uma constituição sem ouvir os líderes das províncias. As pessoas só faram chamadas para o sacrifício das guerras. O grito da independência não fez eco para quem era escravo ou pobre. Até hoje a miséria é conservada para milhões e o racismo é estrutural. Mas o Brasil, figura entre as grandes economias do mundo ocidental. 
 
Cada brasileiro tem o direito de opinar se o Brasil deu certo ou deu errado. Esta obra de Laurentino Gomes, mostra como o Brasil conquistou a independência de Portugal. Que preço teve que pagar. Aqui estão registrados rápidos fragmentos da obra. Neste sete de setembro de 2020, o livro joga luz sobre este tema. Fica a dica de leitura.