Alfredo Neves

15/09/2020
 
O ecletismo na arte de Avelino Pinheiro
 
Francisco Avelino Pinheiro, de nome artístico Avelino Pinheiro. Nasceu em Natal-RN no dia 03 de outubro de 1967. Filho de Francisco Adriel Pinheiro e Ivanilda Porpino Pinheiro. Segundo Avelino Pinheiro de forma prodigiosa ele começou os trabalhos artísticos com os desenhos aos 12 anos de idade, e a sua primeira tela veio aos 18 anos. Ao ser perguntado se ele teve a influência de algum artista ele diz que uma das mais importantes foi a de Getúlio Moura Xavier, amigo de trabalho que conheceu quando trabalhava numa empresa terceirizada no Polo Industrial de Guamaré. Desse encontro adquiriu gosto e a inspiração também pela pintura surrealista. Na ocasião o seu primeiro trabalho foi um barco.
 
Avelino Pinheiro pratica em suas pinturas uma diversidade de estilos, que vão desde o figurativismo, Naïf, Cubismo, Fotografia, Regionalismo e Surrealismo. Há muitos séculos que os artistas têm acompanhado as novidades do seu tempo e que vão além dele, quando muito, alguns subvertem essa ordem, fazendo surgir coisas novas, impactantes e de transformações significativas para o mundo das artes. Em vários momentos permeei temáticas envolvendo as divisões da pintura desde outrora até as fases de virada de eixo da Europa para a América do Norte e da influência importante do Modernismo Brasileiro para a pintura mundial e principalmente às américas. Desde 1922, transitando pela década de 60 e nos dias atuais, a arte cada vez mais surpreende a todos, causando debates acalorados e carregados de devaneios aos interessados pela temática.
 
Dos seus vários estilos e movimentos, gostaria de destacar um pouco sobre o Regionalismo, e iniciaria rebuscando alguns conceitos lá na América do Norte, quando da chegada do Expressionismo Abstrato na sociedade americana durante e um pouco depois da II Grande Guerra Mundial. Não que o Regionalismo seja de importância para a arte a partir do ocorrido na América do Tio Sam, mas que de certa forma o termo pressupõe a defesa necessária dos bem materiais e imateriais de uma determinada região, que vão desde os trajes, a arquitetura, os cantares, falares, a agregação do romantismo ao cotidiano social e até mesmo os interesses políticos regionais que valorizem os ideais sonhados pelas forças políticas, e, notadamente, para as artes plásticas. Na América havia a necessidade de propagação em murais, telas, ilustrações que pudessem mostrar um estado harmonioso, em evolução econômica, com um cotidiano construtor de uma América que saia da Grande Depressão econômica de 1930 e que precisava se ajustar a uma era de equilíbrio e felicidade. O mundo preconizado pelos artistas precisava sair em defesa da expressão necessária para encantar toda uma nação e equilibrá-la social e economicamente O Regionalismo teve várias derivações etnológicas, e dentre elas usava-se termos como Realismo Social ou Realismo Urbano. As cenas urbanas são o fim do trágico, o nascimento de um novo e a destruição do caos que se abatera não só sobre aquele país, mas também no mundo inteiro. Os pintores de maiores destaques do Realismo Americano foram Grant Wood (1891 – 1942) e Edward Hopper (1882 – 1967). O rompimento e o surgimento de um novo movimento, em contraposição ao Regionalismo, só se tornou possível com a origem do Expressionismo Abstrato a partir de 1942.
 
No Brasil não se foge a essa regra, tanto do ponto de vista da literatura como das artes, os regionalistas brasileiros também internalizaram e ainda valorizam até os dias atuais as expressões locais. Poetas e literatos como Drummond de Andrade (1902 – 1987), Manuel Bandeira (1886- 1968), José de Alencar (1829 – 1877), podem ser considerados como escritores do cotidiano urbano e da defesa dos costumes e das lendas regionalistas. No mundo das artes plásticas, destaco: Almeida Júnior (1850 – 1899), Cícero Dias (1907 – 2003), Aldo Bonadei (1906 – 1974) e Alfredo Volpi (1896 – 1988). No Rio Grande do Norte podemos citar Newton Navarro (1928 – 1992), Dorian Gray Caldas (1930 – 2017), Carlos Soares (1957 – 2020) e Iaperi Araújo (1946 -), só para citar alguns. A Arte de Avelino Pinheiro, em meio a tantas telas excepcionais, fez com que eu observasse nelas esses traços da defesa incontestável dos nossos saudosos e ricos costumes que divulgam a nossa regionalidade. 
 
Avelino Pinheiro teve a sua primeira coletiva no Salão Paroquial do Bairro Cidade da Esperança; participou ainda do I Salão de Artes no Sesc Newton Navarro; e no decorrer dos tempos em mais de 12 salões de artes plásticas, recebendo prêmios em mais de 27 coletivas e em torno de 18 salões individuais. Ao identificar em suas pinturas a presença de uma arte que propaga a representatividade regionalista dentro de diversas escolas, tais como no cubismo, no impressionismo, retratos, expressionismo, pop art e abstrato, vejo em Avelino um artista completo e bastante técnico, bem como detentor de um profissionalismo respeitável. Em suas telas estão inspirações da vida cotidiana, pessoas do seu círculo pessoal, artes históricas e cenários marcantes da cidade, seja da atualidade ou do passado, diversos retratos, artes sacras e temas imaginários.
 
De diversas das suas telas elenco as seguintes: “Na Roda da Ginga”, 68x54 cm Óleo sobre tela; “Brincando na Salina”, 45x35 cm Acrílica sobre tela; “Homenagem a Carlinhos Zens” , 75x40cm Acrílica Sobre Tela; “Banda do Siri”, 90x60cm Acrílica Sobre tela; “Falésias” 50x35 óleo Sobre Tela, Téc. Espatulada; “Praia de Areia Preta” 80x60 cm Óleo Sobre Tela; “Samba de Mesa”, 75x55cm Óleo Sobre tela e tantas outros produzidos com nanquim, acrílica e óleo sobre tela, látex, tintas comerciais, alumínio, areia, madeira, etc. 
Avelino Pinheiro é mais um artista plástico que recomendo aos amantes das artes e aos interessados nos estudos sobre arte em nosso estado.